Em nova rodada de negociações, Brasil levou à equipe de Donald Trump um pacote de possíveis concessões comerciais, mas manteve o Pix fora das tratativas e corre contra o prazo antes da decisão dos Estados Unidos.

Redação Publicado em 03/07/2026, às 10h12
O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para evitar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos nacionais, apresentando propostas de compensação em uma reunião com a equipe econômica de Donald Trump.
As discussões abordam temas como comércio digital e combate ao desmatamento, mas o Brasil se recusa a negociar o sistema de pagamentos Pix, considerado estratégico.
Com uma decisão dos EUA prevista até 15 de julho, o Brasil busca um consenso antes do prazo, embora reconheça que fatores políticos e externos dificultam o avanço das negociações.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as negociações com os Estados Unidos para evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em reunião realizada nesta quinta-feira (2), representantes brasileiros apresentaram à equipe econômica da gestão do presidente Donald Trump um documento com alternativas de compensação e medidas que podem ser adotadas para reduzir as tensões comerciais entre os dois países.
A proposta foi entregue durante a quarta rodada de negociações técnicas e busca demonstrar disposição do Brasil para ampliar mecanismos de controle em áreas frequentemente questionadas por Washington, como comércio digital, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol, tarifas preferenciais e combate ao desmatamento ilegal.
O encontro contou com a participação do representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Pelo lado brasileiro, estiveram presentes integrantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Itamaraty, da Assessoria Especial da Presidência da República e de outros órgãos federais.
Segundo integrantes do governo, o chamado "mapa do caminho" foi elaborado porque a administração norte-americana ainda não apresentou, de forma objetiva, quais seriam as exigências para suspender a sobretaxa. O documento brasileiro reúne ações já implementadas e outras que podem ser ampliadas para demonstrar que as políticas nacionais não prejudicam empresas americanas.
Apesar da abertura para negociar alguns temas, o governo brasileiro estabeleceu um limite claro: o sistema de pagamentos Pix não será objeto de qualquer concessão. A ferramenta é considerada estratégica e inegociável pelo Palácio do Planalto.
Em contrapartida, o Brasil admite discutir reduções tarifárias para determinados produtos importados dos Estados Unidos, especialmente nos setores de máquinas, equipamentos médicos e tecnologia da informação, que envolvem aproximadamente 300 linhas tarifárias.
Mesmo com a avaliação de que a proposta foi bem recebida pelos negociadores norte-americanos, integrantes da equipe brasileira reconhecem que o cenário permanece desafiador. A expectativa interna é de que a tarifa de 25% ainda possa ser implementada, já que a decisão final depende do governo dos Estados Unidos.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, admitiu que o cronograma é apertado e afirmou que questões políticas têm dificultado o avanço das negociações.
Segundo ele, as equipes tentam construir um consenso antes do prazo final estabelecido pelo governo norte-americano, mas fatores externos acabam interferindo nas conversas técnicas e atrasando uma definição.
A decisão dos Estados Unidos deverá ser anunciada até 15 de julho, prazo dado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) para concluir a investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão acusa o Brasil de adotar práticas consideradas discriminatórias contra empresas americanas.
Antes disso, na próxima segunda-feira (6), o USTR realizará uma audiência pública para ouvir empresários, representantes da sociedade civil e outros interessados sobre a proposta de taxação. Entre os inscritos estão o senador Flávio Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo, que defenderão a aplicação das tarifas, além de representantes de empresas norte-americanas dos setores de etanol, aço e proteína bovina.
O governo brasileiro contesta as acusações e sustenta que a investigação mistura temas comerciais com questões políticas e assuntos internos do país. Em documento enviado às autoridades americanas, o Itamaraty também afirma que o Pix não restringe a atuação de empresas estrangeiras, destacando que gigantes como Google Pay e Visa já operam dentro do ecossistema brasileiro de pagamentos.
Com uma nova reunião técnica prevista para os próximos dias, Brasil e Estados Unidos entram na reta final das negociações tentando evitar uma medida que pode impactar significativamente o comércio bilateral.
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