Medida atinge mais de mil produtos, incluindo smartphones e equipamentos industriais, e pode reforçar arrecadação federal

Letícia Sales Publicado em 26/02/2026, às 09h50
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta quarta-feira (25) o aumento do imposto de importação sobre mais de mil produtos, entre eles smartphones e máquinas industriais. Segundo ele, a decisão tem caráter regulatório e busca estimular a produção dentro do país.
Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional”, afirmou o ministro após retornar de viagem à Índia e à Coreia do Sul, onde integrou a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O reajuste pode elevar as tarifas em até 7,2 pontos percentuais. Parte das novas alíquotas já entrou em vigor, enquanto o restante passa a valer a partir de março. De acordo com Haddad, mais de 90% dos produtos afetados já são fabricados no Brasil, o que, na avaliação do governo, reduz possíveis impactos ao consumidor.
A medida pode gerar incremento anual de até R$ 14 bilhões aos cofres públicos, contribuindo para o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância para resultado zero.
Entre os itens atingidos estão caldeiras, turbinas, geradores, fornos industriais, robôs, tratores, empilhadeiras, navios, plataformas de perfuração, além de equipamentos médicos como aparelhos de ressonância magnética e tomógrafos.
No caso dos smartphones, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que 95% dos aparelhos comercializados no país são produzidos nacionalmente. Marcas como Apple, Samsung e Motorola mantêm fabricação no Brasil e, segundo o governo, não seriam impactadas. Já a Xiaomi pode ser afetada por depender de importações.
A norma também prevê revisões pelo Mdic, inclusive com possibilidade de redução ou zeragem das tarifas, caso haja necessidade. Ainda assim, o anúncio provocou reação de parlamentares da oposição e de representantes do setor produtivo, que alertam para eventual aumento de custos e reflexos nos preços.
O governo sustenta que a iniciativa corrige distorções no mercado e reforça a indústria instalada no país.
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