Pré-candidato à Presidência afirma que o Brasil deveria assumir compromisso para impedir a integração do Pix a sistemas financeiros ligados aos Brics e sustenta que a medida ajudaria a preservar o alinhamento com o mercado ocidental em meio à investigação comercial aberta pelos Estados Unidos.

Redação Publicado em 03/07/2026, às 10h41
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência, propôs que o Brasil se comprometa a manter o sistema de pagamentos Pix desvinculado de plataformas internacionais ligadas aos Brics, em resposta a uma investigação comercial dos EUA que pode resultar em tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
O senador argumenta que o Pix, uma infraestrutura pública de pagamentos, não deve ser visto como uma ameaça às empresas financeiras americanas, e sua implementação levou ao aumento do uso de cartões e à formalização econômica, beneficiando empresas estrangeiras.
As propostas de Flávio ocorrem em um contexto de negociações entre Brasil e EUA, onde o governo brasileiro busca evitar uma tarifa de 25% sobre produtos nacionais, enquanto as partes tentam chegar a um acordo antes da decisão final dos Estados Unidos.
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), encaminhou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) uma proposta defendendo que o Brasil assuma um compromisso legislativo para impedir que o Pix seja integrado a sistemas internacionais de compensação financeira vinculados aos Brics ou a mecanismos considerados fora da esfera ocidental.
A manifestação foi apresentada durante a investigação comercial aberta pelo governo norte-americano, que avalia supostas práticas brasileiras nas áreas de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, propriedade intelectual, etanol, corrupção e desmatamento. O processo poderá resultar na aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
No documento, Flávio afirma que um dos sinais mais importantes para fortalecer a confiança dos Estados Unidos seria garantir, por meio de legislação, que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos permaneça desvinculado de plataformas internacionais ligadas ao bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Ao justificar a proposta, o senador argumenta que o Pix representa um avanço tecnológico criado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e que sua utilização não deve ser interpretada como uma ameaça às empresas americanas do setor financeiro.
Segundo o parlamentar, o Pix funciona como uma infraestrutura pública de pagamentos, e não como uma empresa privada concorrente das gigantes internacionais do mercado. Ele também sustenta que, desde sua criação, houve expansão do uso de cartões bancários e crescimento da formalização econômica, o que teria ampliado oportunidades para empresas estrangeiras de tecnologia, comércio eletrônico e serviços financeiros.
Flávio ainda defende que uma eventual tarifa comercial imposta pelos Estados Unidos não produziria efeitos sobre o funcionamento do Pix, mas poderia prejudicar investimentos norte-americanos no Brasil. Para ele, sanções econômicas não seriam capazes de alterar a arquitetura do sistema de pagamentos brasileiro.
O documento também reúne referências a iniciativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltadas à ampliação das relações financeiras entre os países dos Brics. Entre elas estão acordos para utilização de moedas locais nas transações comerciais, a aproximação com sistemas chineses de pagamentos internacionais e declarações favoráveis à redução da dependência do dólar nas negociações globais.
As propostas apresentadas por Flávio chegam em um momento de intensa negociação entre Brasília e Washington. O governo brasileiro tenta convencer a administração norte-americana a desistir da cobrança de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos nacionais, enquanto técnicos dos dois países mantêm reuniões para buscar uma solução antes da decisão final do governo dos Estados Unidos.
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