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Crise após negócio frustrado

Fictor entra em recuperação judicial após impacto de tentativa frustrada de compra do Banco Master

Grupo atribui crise à repercussão negativa na imprensa, corrida por retiradas de recursos e ações judiciais após liquidação do banco pelo Banco Central

Fictor Holding relata impactos negativos em sua imagem e operações após exposição midiática relacionada à compra do Banco Master - Imagem: Reprodução/ Rovena Rosa/Agência Brasil
Fictor Holding relata impactos negativos em sua imagem e operações após exposição midiática relacionada à compra do Banco Master - Imagem: Reprodução/ Rovena Rosa/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 02/02/2026, às 09h30


A Fictor Holding Financeira entrou com pedido de recuperação judicial após enfrentar uma forte deterioração de suas condições financeiras nos meses seguintes à tentativa frustrada de aquisição do Banco Master, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. No processo, o grupo afirma que a crise teve origem na repercussão negativa que se formou em torno de seu nome após o anúncio da operação.

Segundo a Fictor, a exposição midiática relacionada à negociação com o banco controlado por Daniel Vorcaro provocou um descompasso temporário nos fluxos operacionais do grupo, além de rescisões contratuais por parte de fornecedores e uma postura mais cautelosa de parceiros, clientes e sócios.

A tentativa de compra do Banco Master foi suspensa após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição, em 18 de novembro. A operação previa um consórcio de investidores globais liderado pela Fictor e incluía um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar o capital do banco.

Efeito no mercado e retirada de recursos

No pedido apresentado à Justiça, a holding relata que, ao longo de dezembro, passou a sofrer impactos diretos no valor de mercado de suas empresas. A Fictor Alimentos S.A., subsidiária listada na B3, acumulou uma queda de aproximadamente 50% no preço das ações entre 17 de novembro e 1º de fevereiro.

“O grupo passou a ser alvo de intensa exposição negativa na imprensa, com questionamentos sobre a consistência da operação anunciada e sobre o suposto papel da Fictor na crise do Banco Master”, afirma a empresa no documento.

De acordo com a holding, até 17 de novembro foram realizados aportes de cerca de R$ 3 bilhões por meio de sócios participantes. Após a liquidação do banco, no entanto, houve uma corrida por retiradas de recursos em contratos de Sociedade em Conta de Participação. Até 31 de janeiro, os pedidos de retirada somavam aproximadamente 71,38% do valor inicialmente aportado.

Ações judiciais e bloqueios

A Fictor também relata que o ambiente de incerteza foi agravado pelo bloqueio judicial de R$ 150 milhões em contas do grupo, o que teria intensificado o receio entre investidores. Segundo a empresa, o cenário levou a um “pânico generalizado” e à judicialização em massa de pedidos de retirada, com ações que incluem requerimentos de arresto cautelar e constrição patrimonial.

No processo de recuperação judicial, a holding informa ter conhecimento de diversos processos individuais em andamento. Apenas três deles, citados no documento, somam mais de R$ 800 mil em pedidos de arresto, com potencial de atingir ativos considerados essenciais para a continuidade das atividades empresariais.

Atuação diversificada

O Grupo Fictor atua nos setores financeiro, de infraestrutura e de alimentos, com um portfólio superior a 30 empresas. A holding tem operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

Ao recorrer à recuperação judicial, a Fictor afirma buscar a preservação de suas atividades, a reorganização de suas obrigações financeiras e a manutenção dos negócios diante de um cenário que classifica como excepcional e provocado por fatores externos à sua operação principal.


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