Diário de São Paulo
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BC abre investigação interna após liquidação do Banco Master

Auditoria avalia demora na detecção de operações de risco e leva ao afastamento de chefes da supervisão

Processo interno analisa atuação da fiscalização bancária - Imagem: Reprodução
Processo interno analisa atuação da fiscalização bancária - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 29/01/2026, às 10h00


O Banco Central instaurou uma investigação interna para apurar a condução do processo de fiscalização que antecedeu a liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A auditoria, de caráter sigiloso, teve início logo após o encerramento das atividades do banco, decretado em novembro do ano passado, e busca identificar possíveis falhas no acompanhamento das operações financeiras da instituição.

O foco da apuração é compreender por que a área técnica do BC demorou a perceber a escalada de operações consideradas de alto risco realizadas pelo Master. A sindicância foi determinada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e corre de forma independente, diante da gravidade de um processo de liquidação extrajudicial, que exige rigor técnico e ampla documentação.

Como desdobramento da auditoria, dois dirigentes do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) foram afastados de suas funções. Até o momento, não há acusações formais contra eles. Um dos afastados é Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC e então chefe-adjunto do Desup. Ele deixou o cargo em novembro, logo após a abertura da investigação, e formalizou o pedido de saída da função em 19 de janeiro.

Também foi afastado Belline Santana, que ocupava a chefia do Desup. Ele havia comunicado ao Ministério Público Federal a existência de uma negociação atípica envolvendo a aquisição de créditos irregulares pelo Banco Master no final do ano passado, operação que posteriormente não avançou. O afastamento ocorreu no início do mês, e o pedido formal de desligamento foi apresentado nesta quinta-feira (29).

Entenda o que levou ao fim do Master

A crise envolvendo o Banco Master teve início a partir de indícios de irregularidades em operações financeiras, o que levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial da instituição em novembro.

Na prática, a medida significa o encerramento definitivo das atividades do banco, com a nomeação de um liquidante responsável por assumir a gestão, encerrar operações pendentes e conduzir o processo até a extinção da empresa. Com isso, o Master deixou de integrar o sistema financeiro nacional.

No ato que determinou a liquidação, Gabriel Galípolo apontou como justificativas a deterioração da situação econômico-financeira do banco e o descumprimento de normas que regem a atividade bancária.

O caso ganhou repercussão e passou a ser acompanhado por diferentes órgãos de controle, incluindo o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF), diante do impacto institucional e da necessidade de esclarecimentos sobre a atuação dos mecanismos de supervisão.

A auditoria agora em curso pretende esclarecer se houve falhas internas no processo de fiscalização e quais medidas podem ser adotadas para evitar que episódios semelhantes se repitam no sistema financeiro.


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