Empresário do setor gastronômico afirma que mudança aumentou carga diária, afetou rotina de funcionários e trouxe dificuldades operacionais.

Ana Beatriz Publicado em 09/05/2026, às 08h32
O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 ganhou destaque no Brasil, impulsionado por empresários que testam novos formatos de expediente, como o chef Marcos Livi, que enfrentou dificuldades ao implementar a escala 5x2 em seus negócios.
Livi relatou que a adaptação dos colaboradores foi complicada, pois, apesar da redução de dias trabalhados, a carga horária total de 44 horas semanais exigiu jornadas mais longas, impactando negativamente a rotina de funcionários, especialmente aqueles com filhos ou que estudam.
Embora a experiência do grupo Bah tenha sido considerada frustrante, o debate sobre a flexibilização das jornadas continua, com opiniões divergentes entre empresários e defensores de modelos que prometem melhorar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores.
O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 voltou ao centro das discussões no Brasil após empresários começarem a testar novos formatos de expediente em diferentes setores da economia. Entre os casos recentes está o do chef e empresário gaúcho Marcos Livi, sócio-fundador do grupo Bah, que afirmou ter enfrentado dificuldades ao implementar a escala 5x2 em parte de suas operações.
Responsável por oito negócios e mais de 150 funcionários, Livi revelou em entrevista à Folha de S.Paulo que adotou o novo modelo em caráter experimental durante o primeiro trimestre deste ano em cinco restaurantes e um hotel administrados pelo grupo. Segundo ele, a experiência foi considerada frustrante.
De acordo com o empresário, a principal dificuldade esteve na adaptação dos colaboradores ao novo formato. Embora a escala tenha reduzido o número de dias trabalhados na semana, a carga horária total permaneceu em 44 horas semanais, exigindo jornadas mais longas nos dias úteis.
“O entendimento pelos colaboradores foi dificílimo. Como a jornada continuou de 44 horas, isso fez com que aumentasse em uma hora a carga nos dias trabalhados, o que mexeu na rotina das pessoas”, afirmou.
Segundo Livi, o impacto foi ainda maior para trabalhadores com filhos ou que conciliam emprego e estudos. A ampliação do expediente diário acabou afetando horários de escola, deslocamento e compromissos pessoais, criando obstáculos na rotina de parte das equipes.
O setor de bares, restaurantes e hotelaria é um dos que mais enfrenta desafios quando o assunto é flexibilização de jornada. Isso porque grande parte das operações funciona em horários estendidos, incluindo noites, fins de semana e feriados, exigindo equipes contínuas para manter o atendimento.
Empresários do ramo afirmam que mudanças na escala podem gerar aumento de custos operacionais, necessidade de novas contratações e dificuldades logísticas para fechamento de equipes. Por outro lado, defensores da redução da jornada argumentam que modelos mais equilibrados podem melhorar qualidade de vida, produtividade e retenção de funcionários.
O tema ganhou força nos últimos meses nas redes sociais e no meio político, especialmente em discussões envolvendo o possível fim da escala 6x1 no Brasil. Especialistas apontam que a transição para jornadas mais flexíveis ainda enfrenta desafios estruturais, principalmente em setores que dependem de operação presencial contínua.
Mesmo com o resultado negativo relatado pelo grupo Bah, o debate sobre novas formas de trabalho continua avançando no país e dividindo opiniões entre empresários, trabalhadores e especialistas em relações trabalhistas.
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