Contrato prevê a compra inicial de duas aeronaves elétricas, com opção de ampliação para até 50 unidades

Erika Osti Publicado em 04/02/2026, às 14h46
A Embraer firmou um contrato com a AirX para a venda de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, marcando sua entrada no mercado asiático de mobilidade aérea urbana, com a possibilidade de expandir a compra para até 50 unidades.
Os eVTOLs, projetados para operar em áreas urbanas com propulsão elétrica e baixo nível de ruído, visam atender à crescente demanda por soluções de transporte em cidades densamente povoadas como Tóquio e Osaka.
As primeiras entregas estão previstas para 2029, enquanto a Embraer trabalha na certificação necessária e no desenvolvimento de um ecossistema de mobilidade aérea no Japão, um mercado que apresenta condições favoráveis para a adoção dessa tecnologia.
A Embraer anunciou nesta semana a venda de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical para a empresa japonesa AirX, em um acordo que marca a primeira negociação do grupo na região Ásia-Pacífico nesse segmento. O contrato foi firmado por meio da Eve Air Mobility, subsidiária da fabricante brasileira dedicada à mobilidade aérea urbana, e prevê a compra inicial de duas aeronaves, com opção de aquisição de até 48 unidades adicionais.
O negócio representa um avanço estratégico da Embraer em um mercado considerado prioritário para o futuro do transporte urbano. Os eVTOLs, sigla em inglês para veículos elétricos de decolagem e pouso vertical, são aeronaves desenvolvidas para operar em áreas urbanas, com propulsão totalmente elétrica, menor nível de ruído e sem a necessidade de pistas convencionais, o que amplia o potencial de uso em regiões densamente povoadas.
De acordo com a empresa, as primeiras entregas estão previstas para 2029, seguindo o cronograma de certificação e os processos regulatórios exigidos pelas autoridades aeronáuticas. A expectativa é que as aeronaves sejam empregadas inicialmente em operações turísticas e de transporte urbano, conectando pontos estratégicos de cidades como Tóquio e Osaka, onde a AirX já atua no mercado de táxi aéreo com helicópteros.
A Embraer informou que o contrato vai além da comercialização das aeronaves e integra um plano mais amplo voltado ao desenvolvimento de um ecossistema de mobilidade aérea urbana no Japão. O país tem ampliado investimentos em soluções inovadoras de transporte como resposta a desafios estruturais, como congestionamentos, limitações de espaço urbano e compromissos de redução de emissões de carbono.
Para a Eve Air Mobility, a parceria consolida a presença da empresa em um dos mercados mais exigentes do mundo em termos de tecnologia, segurança operacional e regulação aeronáutica. A companhia avalia que o Japão reúne condições favoráveis para a adoção desse tipo de transporte, incluindo alta densidade populacional, infraestrutura urbana avançada e políticas públicas voltadas à sustentabilidade.
Popularmente conhecidos como carros voadores, os eVTOLs ainda estão em fase de testes e dependem de certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para o início das operações comerciais. O voo inaugural do protótipo foi realizado em dezembro de 2025, na maior pista de aviação do hemisfério sul, localizada na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Segundo a Eve, o voo marcou o início da fase de testes em voo da aeronave.
A produção dos eVTOLs ocorre em Taubaté (SP), em uma planta industrial com capacidade para fabricar até 480 unidades por ano. O modelo desenvolvido pela empresa comporta cinco pessoas, sendo quatro passageiros e um piloto, e possui autonomia de até 100 quilômetros, característica voltada principalmente a deslocamentos urbanos e regionais de curta distância.
Atualmente, a Eve contabiliza cerca de 3 mil encomendas do veículo. A empresa prevê iniciar tanto as entregas quanto as operações comerciais em 2027. Segundo estimativas da companhia, a frota mundial de eVTOLs pode alcançar 30 mil unidades até 2045, com potencial para transportar mais de 3 bilhões de passageiros nesse período.
A projeção financeira da Eve indica que a operação e a venda dessas aeronaves podem gerar uma receita global de US$ 280 bilhões até 2045, reforçando a aposta da Embraer em um mercado considerado estratégico para o futuro do transporte aéreo.
Ainda não há data definida para o início das operações no Japão, que dependerão da aprovação dos órgãos reguladores locais. Mesmo assim, o acordo é tratado como um marco na expansão internacional da tecnologia desenvolvida pela Embraer, fortalecendo o posicionamento da empresa brasileira entre os principais grupos globais que disputam o mercado de mobilidade aérea urbana.
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