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Mercado financeiro

Em meio à crise, Estadão capta R$ 142 milhões e contrata gestora investigada para operar debêntures

Jornal recorre ao mercado para evitar insolvência, mas escolha de agente fiduciário ligado ao caso Banco Master levanta questionamentos.

Jornal recorre ao mercado financeiro enquanto enfrenta prejuízos e questionamentos sobre operação - Imagem: Reprodução
Jornal recorre ao mercado financeiro enquanto enfrenta prejuízos e questionamentos sobre operação - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 17/04/2026, às 09h58


O Estadão captou R$ 142,5 milhões para reequilibrar suas finanças, mas a operação gerou controvérsias devido à contratação de uma gestora ligada a investigações da Polícia Federal por corrupção e irregularidades financeiras.

A captação foi dividida em duas etapas, com R$ 45 milhões no mercado formal e R$ 97,5 milhões de investidores privados, que agora influenciam a governança do jornal, exigindo um CEO sem vínculos com a família controladora.

Apesar de a direção do Estadão minimizar a escolha da gestora, especialistas alertam para os riscos reputacionais envolvidos, destacando a pressão enfrentada por veículos de mídia tradicionais em um cenário de transformação digital e queda de receitas.

O tradicional jornal O Estado de S. Paulo, conhecido como Estadão, estruturou uma operação de captação de R$ 142,5 milhões no mercado financeiro para tentar reequilibrar suas contas em meio a um cenário de prejuízos acumulados. A estratégia, porém, ganhou contornos controversos após a contratação de uma gestora ligada a investigações em curso na Polícia Federal.

Parte da operação foi conduzida com a participação da Trustee DTVM, empresa controlada pelo empresário Maurício Quadrado, que também mantém ligação com Daniel Vorcaro, nome associado ao caso envolvendo o Banco Master.

A contratação ocorreu em março de 2024, período em que Quadrado já enfrentava bloqueio de bens determinado pela Justiça em investigações relacionadas a suspeitas de corrupção e irregularidades financeiras. Atualmente, ele e a gestora são alvo de apurações que envolvem lavagem de dinheiro e movimentações ligadas ao crime organizado.

Mesmo diante desse contexto, a Trustee foi designada como agente fiduciário em parte da emissão de debêntures — função responsável por intermediar a relação entre a empresa emissora e os investidores, além de fiscalizar o cumprimento das obrigações financeiras.

A captação foi dividida em duas etapas: uma primeira emissão de R$ 45 milhões no mercado formal, com participação da gestora, e outra de R$ 97,5 milhões realizada fora do ambiente regulado, com aportes diretos de investidores privados. Entre eles, empresas e fundos que, posteriormente, passaram a ocupar assentos no conselho administrativo do jornal.

O movimento reflete a tentativa do Estadão de evitar um agravamento de sua crise financeira. Em 2023, o prejuízo da companhia já superava o próprio caixa disponível, e, mesmo após a captação, o balanço mais recente ainda registra resultado negativo.

A entrada de investidores também trouxe mudanças na governança da empresa, incluindo a exigência de um CEO com perfil de mercado e não mais vinculado à tradicional família controladora do jornal.

Procurada, a direção do Estadão minimizou a escolha da gestora, classificando o papel do agente fiduciário como operacional e burocrático. Segundo a empresa, a Trustee presta serviços semelhantes a diversas organizações e não teria atuação direta nas decisões estratégicas da companhia.

Ainda assim, especialistas apontam que a contratação de empresas sob investigação pode gerar riscos reputacionais relevantes, sobretudo em operações financeiras de grande porte. O episódio reforça o ambiente de pressão enfrentado por empresas de mídia tradicionais, que buscam alternativas para manter suas atividades diante da transformação digital e da queda de receitas históricas.


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