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Economia

Copom reduz taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano

Banco Central adota cautela diante da escalada do conflito no Oriente Médio e seus impactos na inflação

Conflito no Oriente Médio é citado como fonte de incerteza para decisões futuras. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.
Conflito no Oriente Médio é citado como fonte de incerteza para decisões futuras. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.

Erika Osti Publicado em 18/03/2026, às 19h13


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (18) reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano, no primeiro corte desde maio de 2024. Apesar do início do ciclo de queda, a autoridade monetária evitou indicar os próximos passos da política de juros, citando o aumento da incerteza global provocado pela guerra no Oriente Médio.

No comunicado, o Copom afirma que o cenário internacional se deteriorou rapidamente após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o que elevou a volatilidade dos mercados e pressionou preços de commodities, especialmente o petróleo. Diante desse ambiente, o comitê optou por não antecipar novas reduções da Selic e reforçou que atuará com cautela.

A decisão marca uma mudança relevante em relação à sinalização feita em janeiro, quando o Banco Central indicava a possibilidade de iniciar um ciclo de flexibilização monetária. O corte de 0,25 ponto percentual veio dentro do esperado pelo mercado, mas a ausência de orientação futura indica que o ritmo de queda dos juros pode ser mais lento ou até interrompido, dependendo da evolução do cenário externo.

O conflito no Oriente Médio tem impacto direto sobre a inflação brasileira ao elevar os custos de energia e combustíveis, além de afetar cadeias globais de produção. O petróleo, que era negociado abaixo de US$ 80 antes da crise, passou a superar os US$ 100 por barril, pressionando preços e elevando riscos inflacionários.

Esse movimento já aparece nas expectativas do mercado. Segundo o boletim Focus, a projeção para a inflação em 2026 subiu para 4,1%, acima da meta central de 3%. Para 2027, a estimativa também segue acima do objetivo. O próprio Banco Central revisou para cima sua projeção de inflação no horizonte relevante, que passou de 3,2% para 3,3%.

O Copom destacou que os riscos inflacionários, que já estavam elevados, se intensificaram com a guerra. Por isso, o comitê pretende aguardar mais informações sobre a duração e os efeitos do conflito antes de definir o rumo da política monetária.

Mesmo com a incerteza, o Banco Central avaliou que o início da redução dos juros é compatível com o processo de desaceleração da economia e com a estratégia de trazer a inflação para a meta ao longo do tempo.  A Selic é o principal instrumento para controlar os preços e suas mudanças levam de seis a 18 meses para impactar plenamente a economia.

A mensagem do Banco Central é de prudência. O ciclo de queda começou, mas seu futuro dependerá menos das condições domésticas e mais do desenrolar da crise internacional.


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