Decisão presidencial deve considerar crise energética e efeitos sociais da mudança; veja prós e contras

Sabrina Oliveira Publicado em 17/09/2024, às 11h51
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tomar uma decisão importante nesta semana: o retorno ou não do horário de verão. A medida, que foi extinta em 2019, volta ao centro das discussões em razão da crise energética que o país enfrenta, provocada pela seca recorde que afeta os níveis dos reservatórios das hidrelétricas. Além disso, o calor intenso que se aproxima eleva o consumo de energia, especialmente com o uso massivo de ar-condicionado e ventiladores.
A decisão de Lula levará em conta um estudo técnico elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que analisam o impacto da retomada do horário de verão nas atuais condições. No entanto, a escolha não será puramente técnica. A medida mexe com a rotina da sociedade e traz implicações políticas que também devem influenciar a decisão.
Especialistas discordam sobre a utilidade do horário de verão. Alguns dizem que a economia de energia é muito pequena, menos de 1% do consumo total. Eles explicam que, ao longo dos anos, os hábitos das pessoas mudaram, e o maior uso de energia agora acontece no meio do dia, quando o horário de verão não faz muita diferença. O aumento no uso de ar-condicionado e ventiladores ao longo do dia também diminui o impacto da medida, que foi criada para economizar energia com luzes.
Por outro lado, defensores da volta do horário de verão destacam que, apesar da economia ser pequena, ela ocorre em um momento crítico para o sistema elétrico: o início da noite. Nesse período, quando a produção de energia solar e eólica cai, há uma necessidade maior de acionar usinas hidrelétricas e termelétricas, que são mais caras e poluentes. Ao adiar o acionamento das luzes, o horário de verão poderia aliviar a pressão sobre o sistema em horários de pico, ainda que de forma modesta.
Além do impacto energético, outros setores são diretamente afetados pela medida. O setor de bares e restaurantes, por exemplo, historicamente é um dos maiores defensores do horário de verão, pois acredita que a maior claridade no fim do dia incentiva o público a sair de casa e aproveitar o tempo em ambientes de lazer, o que resulta em maior movimentação econômica.
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