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Inflação alimentar pode se agravar: "Produtores que sofreram prejuízos podem optar por não replantar"

Com a inflação de alimentos pesando 21,69% no custo de vida, o governo busca medidas para reduzir os preços e melhorar a situação econômica

Os pesquisadores do IBGE identificam altas alarmantes em tubérculos e legumes, com 71% dos produtos alimentícios registrando aumento de preços. - Imagem: Reprodução | Agência Brasil
Os pesquisadores do IBGE identificam altas alarmantes em tubérculos e legumes, com 71% dos produtos alimentícios registrando aumento de preços. - Imagem: Reprodução | Agência Brasil

por Marina Milani

Publicado em 11/02/2025, às 20h55


A recente alta na inflação de alimentos, conforme revelado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a janeiro, está diretamente ligada à diminuição da oferta de produtos como tomate e cenoura. Essa informação foi divulgada nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O índice referente ao grupo de alimentos e bebidas registrou um aumento de 0,96% no mês, resultando em um impacto de 0,21 ponto percentual (p.p.) no IPCA total. Embora essa alta seja significativa, ela representa uma desaceleração em comparação com o mês anterior, onde os preços do mesmo grupo subiram 1,18%.

Além dos alimentos e bebidas, o grupo de transportes também se destacou com uma elevação de 1,3%, contribuindo com 0,27 p.p. para o IPCA. No geral, o índice fechou o primeiro mês do ano em 0,16%, a menor taxa registrada para janeiro desde o início do Plano Real em 1994.

A inflação dos alimentos continua sendo uma preocupação central para o governo federal. Na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou seu desejo de reduzir os custos de vida da população. De acordo com dados do IBGE, os alimentos e bebidas representam um peso significativo de 21,69% no custo mensal de vida das famílias que recebem até 40 salários mínimos.

Entre os itens analisados pelo IBGE, os tubérculos, raízes e legumes apresentaram a maior alta em janeiro, com um aumento de 8,19%. Outros itens que também tiveram variação significativa foram as bebidas e infusões (2,96%), pescados (1,71%) e aves e ovos (1,69%). O índice de difusão dos produtos alimentícios no IPCA foi alarmante: 71% dos subitens pesquisados registraram aumento de preços.

Os pesquisadores identificaram os principais impactos nos preços do café moído (8,56% e impacto de 0,04 p.p.), tomate (20,27% e 0,04 p.p.) e cenoura (36,14% e 0,02 p.p.). Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa no IBGE, atribuiu essas elevações a fatores relacionados à produção agrícola. "A cenoura tem sua produção concentrada em Minas Gerais, Bahia e Goiás; a oferta reduzida foi resultado da menor quantidade enviada ao mercado", explicou.

Gonçalves também ressaltou que as condições climáticas impactaram negativamente a produção de tomate. "As chuvas intensas afetaram a qualidade dos frutos e limitaram a produção", acrescentou. Ele ainda observou que a safra do tomate está em seu final, resultando em uma diminuição na oferta.

Além disso, ele comentou sobre as consequências das perdas climáticas do ano anterior. "Produtores que sofreram prejuízos podem optar por não replantar determinadas culturas nas safras subsequentes", enfatizando como isso pode afetar a disponibilidade futura desses produtos.

No que diz respeito ao café – que teve um papel significativo na pressão inflacionária – as previsões indicam que os preços continuarão elevados devido à combinação entre a escassez na produção e uma crescente demanda global.

Por outro lado, as carnes apresentaram uma variação mais amena em janeiro, com um aumento de apenas 0,36%, comparado aos índices elevados registrados nos meses anteriores. Gonçalves associou essa tendência ao início do período chuvoso, que favorece o crescimento do pasto e reduz os custos de produção das proteínas.

Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou otimismo quanto à recente queda do dólar e à expectativa de uma safra recorde em 2025 como fatores que podem contribuir para conter a inflação alimentar no país. O IBGE estima um crescimento significativo na safra nacional para o próximo ano após uma redução em 2024.