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Agro

Café é o produto que mais caro da cesta básica em 2026, aponta indústria

Valor do café mais que dobrou em cinco anos, apesar da redução no consumo

Eventos climáticos extremos e tarifas elevadas no exterior pressionam o mercado de café - Imagem: Reprodução/Freepik
Eventos climáticos extremos e tarifas elevadas no exterior pressionam o mercado de café - Imagem: Reprodução/Freepik

Gabriela Nogueira Publicado em 30/01/2026, às 13h42


O café encerrou 2025 como o produto com maior alta dentro da cesta básica e deve manter preços elevados ao longo de 2026. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café indica que, nos últimos cinco anos, o valor da bebida mais do que dobrou para o consumidor, pressionado por problemas climáticos, estoques mundiais reduzidos e custos crescentes ao longo da cadeia produtiva.

De acordo com a entidade, o preço do café torrado e moído acumulou alta significativa no último ano, superando itens tradicionais da cesta. Mesmo com a previsão de uma safra mais favorável neste ciclo, a indústria avalia que a produção deve ser direcionada, em grande parte, à recomposição de estoques globais, o que limita a possibilidade de queda imediata nos preços.

O impacto foi sentido diretamente no consumo. Em 2025, houve retração de pouco mais de 2%, reflexo do encarecimento contínuo. Ainda assim, o faturamento do setor avançou de forma expressiva, alcançando mais de R$ 46 bilhões, impulsionado pelo aumento dos preços nas prateleiras dos supermercados.

Nos últimos anos, o custo do grão para a indústria cresceu em ritmo ainda mais acelerado do que o repasse ao consumidor. O café arábica, principal variedade consumida no Brasil, registrou valorização superior a 200% desde 2021. Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, geadas e temperaturas acima da média, reduziram a oferta e pressionaram o mercado internacional.

Além do clima, fatores externos contribuíram para o cenário. A elevação de tarifas sobre o café brasileiro em mercados internacionais e a queda sucessiva da produção global ajudaram a manter as cotações em patamar elevado. Segundo a indústria, parte desse aumento ainda não foi totalmente transferida ao consumidor final.

Para 2026, a expectativa é de maior estabilidade, mas não de alívio imediato no bolso. Especialistas avaliam que seriam necessárias pelo menos duas safras consecutivas positivas para provocar uma redução mais consistente nos preços. Enquanto isso, pequenas oscilações podem ocorrer, abrindo espaço para promoções pontuais, especialmente em períodos de maior oferta.

Apesar do cenário desafiador, o consumo de café no Brasil segue considerado resiliente. A indústria observa que, mesmo diante de altas sucessivas, a bebida permanece presente no dia a dia dos brasileiros, mantendo sua relevância econômica e cultural.


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