Projeções indicam contração econômica no segundo semestre, apesar de crescimento anual estimado em 1,9%

Manoela Cardozo Publicado em 04/05/2025, às 12h05
O Brasil pode enfrentar uma recessão técnica em 2025, mesmo com um crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) estimado em 1,9%, segundo projeções do Bradesco. O economista-chefe do banco, Fernando Honorato, prevê que, após um primeiro semestre de expansão, a economia brasileira registre dois trimestres consecutivos de contração no segundo semestre, caracterizando uma recessão técnica.
No primeiro trimestre, espera-se um crescimento de 1,2%, seguido por 0,6% no segundo trimestre. Entretanto, o terceiro e quarto trimestres podem apresentar retrações de 0,3% e 0,2%, respectivamente. Essa desaceleração é atribuída ao aumento da taxa Selic, que pode atingir 15,25% ao ano, e à ausência de estímulos fiscais e de crédito que impulsionaram a economia nos anos anteriores.
Apesar do cenário desafiador, a previsão de uma safra agrícola recorde em 2024 pode mitigar os efeitos negativos no início de 2025.O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima uma produção de 323,8 milhões de toneladas, superando o recorde anterior de 316,4 milhões de toneladas em 2023.Esse desempenho pode impulsionar o PIB no primeiro trimestre, antes da esperada desaceleração nos trimestres seguintes.
Outras instituições financeiras, como a Kinea e a Adam Capital, também projetam uma recessão técnica no segundo semestre de 2025, com crescimento anual próximo a 2%.No entanto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ainda não vê sinais claros de recessão, embora reconheça indícios de desaceleração econômica.
O conceito de recessão técnica, definido por dois trimestres consecutivos de contração do PIB, não necessariamente reflete uma crise profunda, pois outros indicadores, como o mercado de trabalho, podem permanecer resilientes.A datação oficial de recessões no Brasil é responsabilidade do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), que analisa o comportamento da economia de forma mais abrangente.
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