Diário de São Paulo
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Brasil enfrenta terceiro maior fluxo cambial negativo desde 2008

O cenário foi superado apenas pelos anos de 2019 e 2020, quando as saídas líquidas atingiram US$ 44,768 bilhões e US$ 27,923 bilhões, respectivamente

Especialistas projetam que o dólar deve permanecer em patamares elevados, com uma previsão de fechamento de R$ 5,96 ao final de 2025 - Imagem: Reprodução | Freepik
Especialistas projetam que o dólar deve permanecer em patamares elevados, com uma previsão de fechamento de R$ 5,96 ao final de 2025 - Imagem: Reprodução | Freepik

por Marina Milani

Publicado em 03/01/2025, às 07h33


Em 2024, o Brasil registrou uma saída líquida de dólares de US$ 15,918 bilhões, consolidando o terceiro maior fluxo cambial negativo desde 2008. O cenário foi superado apenas pelos anos de 2019 e 2020, quando as saídas líquidas atingiram US$ 44,768 bilhões e US$ 27,923 bilhões, respectivamente.

O ano foi marcado pela valorização do dólar, que acumulou alta de 27%, encerrando 2024 cotado a R$ 6,18. Esse aumento reflete as incertezas no cenário fiscal interno e as pressões do ambiente externo.

Detalhamento do fluxo cambial

  • Fluxo financeiro:
    O saldo foi negativo em US$ 84,396 bilhões, resultado de compras que somaram US$ 589,989 bilhões e vendas que alcançaram US$ 674,385 bilhões.

  • Fluxo comercial:
    Em contrapartida, o comércio exterior apresentou saldo positivo de US$ 68,478 bilhões, com exportações de US$ 298,456 bilhões superando importações de US$ 229,978 bilhões.

Destaque de dezembro

Dezembro trouxe um agravamento da situação cambial, com saída líquida de US$ 24,314 bilhões.

  • O canal financeiro contribuiu com uma saída de US$ 26,042 bilhões.
  • O canal comercial registrou uma entrada tímida de apenas US$ 1,728 bilhões.

Esses números ilustram a fragilidade do mercado cambial brasileiro no fechamento do ano, indicando dificuldades em atrair capital estrangeiro.

Perspectivas para 2025

Especialistas projetam que o dólar deve permanecer em patamares elevados, com uma previsão de fechamento de R$ 5,96 ao final de 2025. O cenário dependerá de ajustes fiscais e da capacidade do governo em restaurar a confiança de investidores e agentes econômicos.