Decisão unânime marca segunda redução da taxa Selic seguida em meio a incertezas globais e pressão inflacionária

Erika Osti Publicado em 29/04/2026, às 19h33
O Banco Central voltou a reduzir a taxa básica de juros nesta quarta-feira (29), em decisão unânime do Comitê de Política Monetária. A Selic caiu de 14,75% para 14,5% ao ano, em um movimento já esperado pelo mercado financeiro e que marca o segundo corte consecutivo após um longo período em patamar elevado. A decisão ocorre em um cenário de incerteza internacional, pressionado pela guerra no Oriente Médio, e de inflação ainda resistente, o que levou a autoridade monetária a adotar um tom cauteloso sobre os próximos passos.
No comunicado, o Copom destacou que o ambiente global segue instável e que os efeitos do conflito geopolítico sobre os preços, especialmente de combustíveis e alimentos, aumentam a imprevisibilidade. O colegiado afirmou que continuará conduzindo a política monetária com prudência, deixando em aberto o ritmo e a duração do ciclo de cortes.
A taxa básica é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, atualmente pressionada. A prévia de abril, medida pelo IPCA-15, avançou 0,89%, com alta acumulada de 4,37% em 12 meses, se aproximando do teto da meta, fixada em 4,5%. Pelo novo regime de metas contínuas, em vigor desde 2025, o objetivo central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Além disso, as projeções de inflação seguem deterioradas. Para 2027, horizonte relevante da política monetária, a estimativa subiu para 3,5%. No mercado, o cenário é ainda mais pessimista: o boletim Focus aponta inflação de 4,86% neste ano, acima do limite permitido.
O Banco Central também ressaltou que o ambiente externo limita cortes mais agressivos. A manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos mantém os títulos americanos atrativos, o que reduz o espaço para reduções mais intensas no Brasil sem pressionar o câmbio.
Apesar dos riscos, o Copom avalia que a política monetária restritiva já começa a surtir efeito, com sinais de desaceleração da atividade econômica. A expectativa oficial é de crescimento de 1,6% em 2026, enquanto o mercado projeta expansão um pouco maior, de 1,85%.
Na prática, a redução da Selic tende a baratear o crédito, estimulando consumo e investimento. Por outro lado, juros menores dificultam o controle da inflação, o que exige equilíbrio nas decisões. O Banco Central não deu indicações claras sobre os próximos movimentos, reforçando que qualquer ajuste dependerá da evolução dos indicadores econômicos e do cenário internacional.
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