Diário de São Paulo
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Taxa Selic

Banco Central mantém juros em 15% pela quinta vez

Decisão do Copom foi unânime e reflete cautela diante do cenário inflacionário

Decisão do Copom manteve a taxa básica no maior patamar desde 2006. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.
Decisão do Copom manteve a taxa básica no maior patamar desde 2006. - Imagem: Reprodução/Agência Brasil.

Erika Osti Publicado em 29/01/2026, às 15h16


O Banco Central do Brasil decidiu na quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, pelo quinto encontro consecutivo, em sua primeira reunião de política monetária de 2026. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) foi tomada por unanimidade dos diretores e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro.

A Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando alcançou 15,25% ao ano, e permanece em patamar considerado restritivo pelos analistas econômicos. A elevação nos juros iniciada em 2024 foi uma resposta do Banco Central à inflação persistente, com aumentos que somaram cerca de 450 pontos base até meados de 2025.

No comunicado oficial, o Copom destacou que, embora algumas leituras recentes de inflação, incluindo o IPCA-15, tenham mostrado sinais de desaceleração, ainda não há elementos suficientes para antecipar cortes na taxa. Entre os motivos para manter os juros, o Banco Central citou a inflação de serviços ainda pressionada e a necessidade de garantir a convergência dos preços à meta estabelecida.

Apesar da manutenção, o colegiado sinalizou uma possível mudança de direção na próxima reunião, prevista para março de 2026. Segundo o BC, caso o cenário de inflação evolua conforme esperado, com pressões sobre os preços sob controle, o início de um ciclo de flexibilização da política monetária poderá ocorrer nessa data. A magnitude e o ritmo desses cortes, no entanto, ainda dependem de dados futuros e permanecem incertos.

O cenário atual mostra que, mesmo com a inflação oficial caminhando em direção à meta, a estratégia do Banco Central é pautada pela cautela. Juros mais altos desaceleram o consumo e o crédito, ajudando a manter os preços sob controle, mas também encarecem financiamentos e podem ter impacto sobre o crescimento econômico.

O mercado financeiro tem reagido à estabilidade da Selic com expectativas de aumentos moderados no crédito e maior confiança em títulos públicos, o que favorece a entrada de investidores. Ainda assim, muitos economistas alertam que o ritmo de queda dos juros deve ser gradual, dado o equilíbrio delicado entre inflação, atividade econômica e expectativas de crescimento.

Com a Selic estacionada em 15%, setores como o imobiliário e de consumo tendem a sentir os efeitos do crédito mais caro, o que pode retardar decisões de investimento e compra de bens duráveis. Ao mesmo tempo, poupadores e investidores em renda fixa continuam a se beneficiar de rendimentos mais altos comparados a ciclos de juros baixos.

O Copom volta a se reunir em março de 2026, em um encontro que será acompanhado de perto por agentes do mercado e autoridades econômicas, diante das expectativas sobre os próximos rumos da política monetária, condicionadas ao comportamento da inflação e ao desempenho dos principais indicadores da economia.


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