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Sistema financeiro

Banco Central alertou risco de quebra de “embrião” do Master anos antes de liquidação

Documentos mostram que autoridade monetária já via problemas graves de liquidez no Banco Máxima, origem do atual Banco Master.

Relatórios do Banco Central indicavam riscos elevados no banco que deu origem ao Master anos antes da liquidação. - Imagem: Reprodução
Relatórios do Banco Central indicavam riscos elevados no banco que deu origem ao Master anos antes da liquidação. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 16/04/2026, às 09h10


Documentos do Banco Central revelam que a instituição já havia identificado riscos elevados no Banco Master, anteriormente conhecido como Banco Máxima, antes de sua liquidação em 2025, destacando fragilidades estruturais e baixa liquidez desde 2020.

Apesar de um aporte de R$ 150 milhões e mudanças na estrutura, os problemas persistiram, e o banco recebeu uma avaliação negativa, com nota '3-' em uma escala que indica risco elevado, além de registros de irregularidades anteriores em 2018.

Após a liquidação decretada pelo Banco Central devido a uma crise de liquidez crônica, documentos foram enviados à CPI do Crime Organizado, levantando questionamentos sobre a supervisão do órgão regulador e as decisões que permitiram a continuidade das operações do banco.

Documentos do Banco Central do Brasil revelam que a instituição já havia identificado riscos elevados no chamado “embrião” do Banco Master anos antes da liquidação da instituição.

De acordo com análises internas obtidas pela reportagem, o antigo Banco Máxima — posteriormente transformado no Master — apresentava fragilidades estruturais, baixa liquidez e assumia riscos superiores à sua capacidade de controle já em 2020.

O alerta foi direcionado ao banqueiro Daniel Vorcaro, que liderava o processo de aquisição e reestruturação da instituição. Na avaliação do Banco Central, o banco poderia, inclusive, ser submetido à liquidação extrajudicial caso não adotasse medidas corretivas urgentes.

A análise técnica considerou fatores como a saúde financeira, o nível de exposição a riscos e a eficiência dos controles internos. Ao final do processo de supervisão, o banco recebeu nota “3-” em uma escala que vai até 4 — quanto mais próximo do topo, pior a avaliação.

Segundo os relatórios, mesmo após aporte de cerca de R$ 150 milhões e mudanças na estrutura da instituição, os problemas persistiram. O Banco Central apontou que as medidas adotadas não foram suficientes para garantir estabilidade, destacando uma relação inadequada entre captação de recursos e patrimônio.

Além disso, já havia registros anteriores de irregularidades. Em 2018, o órgão regulador notificou o banco por descumprir limites de exposição de crédito por cliente, o que reforçou a preocupação com a gestão de riscos.

Apesar dos alertas, a aquisição do Banco Máxima foi autorizada em 2019. Após a reestruturação, a instituição passou a operar sob o nome Banco Master.

Anos depois, diante de uma crise de liquidez considerada “crônica”, o Banco Central decretou a liquidação da instituição, em novembro de 2025.

Os documentos agora enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado levantam questionamentos sobre a atuação do órgão regulador e as decisões que permitiram a continuidade das operações mesmo diante de sinais de instabilidade.

Procurados, tanto o Banco Central quanto a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestaram até a publicação desta reportagem.


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