Resultado é o maior da série histórica e reflete avanço do emprego, da renda e do consumo no país

Erika Osti Publicado em 28/04/2026, às 19h34
A arrecadação de impostos e contribuições federais alcançou R$ 229,2 bilhões em março de 2026, o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995. O resultado, divulgado nesta terça-feira (28), pela Receita Federal, representa crescimento real de 4,99% em relação ao mesmo período do ano passado, já descontada a inflação. No acumulado do primeiro trimestre, o governo federal também bateu recorde, com R$ 777,12 bilhões arrecadados, alta de 4,6% frente aos três primeiros meses de 2025.
O desempenho foi sustentado principalmente pelo aumento da arrecadação sobre renda, consumo e operações financeiras. Um dos destaques foi o Imposto sobre Operações Financeiras, que somou R$ 8,3 bilhões apenas em março, com avanço expressivo de 50,06% na comparação anual. No trimestre, o crescimento do IOF chega a 44,45%, refletindo mudanças nas regras adotadas no ano passado, que elevaram a tributação sobre crédito e câmbio.
Além disso, a arrecadação previdenciária avançou com a melhora do mercado de trabalho, impulsionada pelo aumento do emprego formal e da massa salarial. Tributos ligados ao consumo, como PIS e Cofins, também contribuíram para o resultado, acompanhando o nível de atividade econômica. Já o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital teve papel relevante no reforço das receitas.
Outro fator que começa a aparecer nas estatísticas é a tributação de dividendos. Em março, essa cobrança gerou cerca de R$ 308 milhões. A medida, em vigor desde 2026, estabelece alíquota de 10% para valores acima de R$ 50 mil recebidos por pessoas físicas e foi criada como compensação à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
O crescimento da arrecadação é peça-chave para o equilíbrio das contas públicas. A meta fiscal do governo para este ano prevê superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto. Embora o desempenho robusto ajude a reduzir o rombo, projeções ainda indicam desafios para encerrar o ano no azul.
Os dados reforçam uma tendência de arrecadação elevada observada desde 2025. A continuidade desse ritmo dependerá da atividade econômica, do comportamento do mercado de trabalho e da manutenção das medidas tributárias recentes.
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