Leite, gasolina e gás de cozinha puxaram os preços para cima; índice acumulado em 12 meses segue dentro da meta do governo

Letícia Sales Publicado em 12/05/2026, às 10h56
A inflação oficial do país desacelerou em abril e fechou em 0,67%, após marcar 0,88% em março. Apesar da redução no ritmo de alta dos preços, os alimentos continuaram pressionando o orçamento das famílias brasileiras e tiveram o maior impacto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação chegou a 4,39%, permanecendo dentro da meta estabelecida pelo governo federal, que é de 3%, com margem de tolerância de até 4,5%.
Alimentos lideram pressão inflacionária
O grupo “Alimentação e bebidas” registrou alta de 1,34% em abril e respondeu sozinho por 43% da inflação do mês.
Entre os itens que mais pesaram no bolso do consumidor estão o leite longa vida, que subiu 13,66%, além das carnes, cebola, tomate e cenoura.
Segundo o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, fatores climáticos e o aumento no custo do transporte ajudaram a encarecer os alimentos.
“No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos”, explicou.
O especialista também destacou o impacto do diesel sobre o frete dos produtos.
“A alta do diesel impacta o preço do frete dos alimentos e chega ao consumidor final”, detalhou.
Combustíveis seguem em alta
A gasolina foi o item que mais influenciou a inflação de abril individualmente, com aumento de 1,86%. O diesel também ficou mais caro, acumulando alta de 4,46% no mês.
De acordo com o IBGE, os reajustes estão ligados aos reflexos da guerra no Oriente Médio, região estratégica para a produção e distribuição mundial de petróleo.
Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil sente os efeitos da valorização internacional do barril. No caso do diesel, a dependência externa é ainda maior, já que o país importa cerca de 30% do combustível consumido internamente.
Passagens aéreas ajudaram a frear índice
No sentido contrário, as passagens aéreas tiveram queda média de 14,45% em abril e foram o item que mais ajudou a conter a inflação do período.
O IBGE explicou que os preços das passagens são coletados com antecedência de 60 dias, o que fez com que o impacto da alta recente do combustível de aviação ainda não aparecesse no índice de abril.
Outro combustível que apresentou redução foi o gás natural veicular (GNV), que ficou 1,24% mais barato no mês.
Conta de luz e gás também pesaram
O grupo habitação avançou 0,63%, influenciado principalmente pela alta no gás de botijão e na energia elétrica residencial.
Segundo o IBGE, reajustes nas tarifas de energia em capitais e regiões metropolitanas contribuíram para elevar a média nacional da conta de luz.
O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e é considerado o principal indicador oficial da inflação no país.
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