Dados da Previdência revelam mudança no perfil dos afastamentos no Brasil

Gabriela Nogueira Publicado em 27/01/2026, às 18h30
O Brasil encerrou 2025 com cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por motivo de saúde, o maior volume registrado nos últimos cinco anos. Os dados, obtidos junto ao Ministério da Previdência Social, revelam um cenário preocupante para o mercado de trabalho e para o sistema de proteção social do país.
As estatísticas mostram que as doenças físicas continuam liderando os pedidos de licença, especialmente os problemas relacionados à coluna. As dores nas costas seguem como o principal fator de afastamento, mantendo uma tendência observada desde anos anteriores. Na sequência aparecem os transtornos dos discos da coluna, como a hérnia de disco, que também afastaram centenas de milhares de trabalhadores de suas funções.
Apesar disso, o levantamento aponta uma mudança importante no perfil dos afastamentos. As doenças ligadas à saúde mental avançaram de forma expressiva e já figuram entre os principais motivos de licença médica no país. Casos de ansiedade e depressão cresceram em relação a 2024 e, somados, passaram a ocupar a segunda posição entre as causas mais frequentes de afastamento do trabalho.
Especialistas avaliam que o cenário reflete uma combinação de fatores, como jornadas intensas, pressão por produtividade, insegurança econômica e dificuldade de acesso a cuidados preventivos. O resultado é um aumento significativo de trabalhadores temporariamente incapazes de manter suas atividades profissionais.
O benefício por incapacidade temporária é concedido quando o afastamento ultrapassa 15 dias consecutivos. Nesse período inicial, o salário é pago pela empresa. A partir do 16º dia, o pagamento passa a ser feito pelo INSS, desde que a perícia médica reconheça a incapacidade para o trabalho.
Outro dado que chama atenção é que uma mesma pessoa pode solicitar o benefício mais de uma vez ao longo do ano, em afastamentos distintos, o que ajuda a inflar os números totais registrados nas estatísticas oficiais.
Para especialistas em previdência e saúde do trabalho, o volume recorde de licenças indica a necessidade de políticas mais eficazes de prevenção, tanto no campo da ergonomia e segurança física quanto no cuidado com a saúde emocional dos trabalhadores. Sem isso, a tendência é que os afastamentos continuem crescendo nos próximos anos.
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