Operação prevê emissão de ações para reforçar o caixa e sustentar a recuperação após perdas com ativos do Banco Master

Erika Osti Publicado em 22/04/2026, às 14h11
Os acionistas do Banco de Brasília aprovaram, nesta quarta-feira (22), um amplo aumento de capital que pode chegar a R$ 8,8 bilhões, em uma tentativa de reequilibrar as contas da instituição após prejuízos expressivos ligados a operações com o Banco Master. A decisão foi tomada em assembleia geral extraordinária e inclui mudanças no estatuto do banco, além da autorização para emissão de novas ações ordinárias e preferenciais no mercado.
A capitalização será feita por meio de subscrição privada, com papéis precificados em R$ 5,36 cada. O objetivo central é reforçar a estrutura financeira do banco, recompor o patrimônio afetado pelas perdas e garantir condições para a continuidade das operações. Com a medida, o capital social do BRB pode sair dos atuais R$ 2,3 bilhões para um patamar entre R$ 2,88 bilhões e R$ 11,16 bilhões, dependendo da adesão dos investidores.
Controlado pelo Governo do Distrito Federal, que detém cerca de 53,7% das ações, o banco atravessa a maior crise de sua história recente. O rombo financeiro tem origem na aquisição de créditos do Banco Master, operação que passou a ser investigada por suspeitas de fraude e resultou em prejuízo bilionário.
A fragilização do balanço levou o banco a buscar alternativas para recompor liquidez e atender às exigências regulatórias. O aumento de capital também é visto como um passo para melhorar indicadores prudenciais, ampliar a capacidade de crédito e retomar o crescimento das operações.
Na mesma assembleia, foram confirmadas mudanças na governança. O atual presidente, Nelson de Souza, foi nomeado para o Conselho de Administração, assim como Joaquim Lima de Oliveira e Sergio Iunes Brito, que passam a integrar a direção do banco.
Para o presidente do BRB, Nelson de Souza, a decisão representa um avanço no processo de recuperação da instituição. Segundo ele, o aumento de capital já indica um cronograma de integralização e marca “um grande passo” na reorganização do banco.
A crise institucional do BRB se intensificou após a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, que revelou um esquema de fraudes financeiras envolvendo a compra de ativos do Banco Master. As investigações levaram à prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e ao afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, suspeito de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.
Como parte da estratégia para reduzir perdas, o banco firmou um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para se desfazer desses ativos problemáticos. O acordo prevê pagamento inicial entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, com possibilidade de valores adicionais condicionados à recuperação dos créditos, podendo alcançar até cerca de R$ 15 bilhões no total.
A operação ainda depende de aval do Banco Central e será estruturada por meio de um fundo de investimento que ficará responsável por administrar e monetizar os ativos.
Especialistas avaliam que a iniciativa pode aliviar a pressão de curto prazo, mas não resolve integralmente a situação. O banco também busca outras medidas, como a contratação de empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos e a adoção de uma gestão mais rigorosa.
Apesar das incertezas, a aprovação do aumento de capital é considerada essencial para dar fôlego à instituição em meio ao processo de reestruturação e recuperação da confiança do mercado.
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