Ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima destacou a necessidade de "ir para o ataque" após a delação da J&F

por Marina Milani
Publicado em 02/05/2024, às 19h00
Conversas inéditas obtidas pela Operação Spoofing mostram que procuradores da Lava Jato estavam preocupados com a percepção de "impunidade" gerada pela delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F, fechada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os diálogos, datados de maio de 2017, após a divulgação da delação de um dos empresários, revelam críticas à reação da PGR e um planejamento para "compensar" a situação com uma leniência mais rigorosa, embora este não fosse um assunto de competência da força-tarefa no Paraná.
O acordo de leniência, assinado em 5 de junho de 2017, previa uma multa de R$ 10,3 bilhões à J&F. As negociações estavam sob responsabilidade da força-tarefa da Operação Greenfield, membros do Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal, e envolviam crimes investigados em diversas operações.
O ex-procurador da República, Deltan Dallagnol, orientou o grupo em 19 de maio de 2017 a "neutralizar" a situação. No dia seguinte, criticou a nota divulgada pela PGR sobre a delação, chamando-a de "péssima".
Outros membros da força-tarefa expressaram preocupação com a guerra de comunicação e enfatizaram a importância de destacar que a leniência não significaria impunidade, mas sim o início do processo de reparação.
Mensagens atribuídas ao ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima destacavam a necessidade de "ir para o ataque" e manter a pressão. Ele também mencionou a importância de evitar que o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se isolasse.
Os diálogos evidenciam a preocupação dos procuradores com o desfecho das negociações e a necessidade de comunicar de forma eficaz a justificativa por trás dos acordos firmados.
O acordo de leniência com a J&F nos Estados Unidos, fechado em 2020, previu uma multa de US$ 128 milhões. No Brasil, em dezembro de 2023, o ministro do STF Dias Toffoli suspendeu a multa, após a empresa alegar prejuízos decorrentes do acordo.
A suspensão do acordo de leniência pelo STF levantou questões sobre a liberdade da empresa em tomar decisões informadas, considerando os elementos obtidos pela Operação Spoofing.
Procuradores envolvidos nos acordos destacaram que a preocupação primária era recuperar os valores para lidar com o impacto social do rombo causado pelos crimes.
O ex-procurador Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que a Lava Jato não participou diretamente das negociações. O Ministério Público Federal no Distrito Federal não se pronunciou sobre o caso.
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