A empresa sino-indonésia alterou sua posição e votou contra a destinação do lucro para a construção da Linha 2

Redação Publicado em 02/05/2024, às 19h00
A empresa sino-indonésia Paper Excellence mudou de posição após mais de cinco anos no papel de acionista da Eldorado Brasil Celulose para impedir que a companhia construa sua segunda linha de produção. A empresa estrangeira defendeu em assembleia realizada na última terça-feira (30), que a empresa de celulose distribuísse em dividendos 100% do lucro de 2023, de R$ 2,3 bilhões. A destinação da maior parte do lucro para investimentos futuros foi recomendada aos acionistas pela administração da Eldorado e aprovada por maioria com o voto da J&F Investimentos, mostra a ata da assembleia protocolada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Em todas as assembleias anteriores, desde 2019, a Paper havia concordado com a retenção dos dividendos na própria Eldorado, devido ao litígio em curso entre as duas acionistas por 100% das ações da empresa de celulose. Ainda assim, a Paper Excellence conseguiu tirar R$ 560 milhões do caixa da expansão da Eldorado, referente aos dividendos mínimos previstos em lei. Para essa distribuição não ocorrer, a lei exige unanimidade entre os acionistas.
A mudança de estratégia ocorreu após o empresário Wesley Batista, da J&F, ter afirmado em um evento que a holding apoiaria o plano de expansão da Eldorado, um projeto de R$ 25 bilhões que mais do que dobra a sua capacidade de produção de celulose e gera 10 mil empregos diretos. A Eldorado vende cerca de metade da sua produção na Ásia, fortalecendo a concorrência à Asia Pulp & Paper, controlada pela mesma família dona da Paper Excellence.
"Não há dúvida de que a sua intenção ao defender a distribuição de dividendos em um momento em que a Eldorado precisa de recursos para financiar projetos de expansão é descapitalizar e impedir o crescimento da Companhia, uma de suas concorrentes no mercado internacional de celulose", reforçou a Eldorado.
A Eldorado havia apresentado a proposta de retenção do lucro com vistas aos projetos futuros. A manifestação da Eldorado ressalta também os riscos de ser cobrada judicialmente pelos valores pagos à acionista que perder o litígio por suas ações. E lembra que a própria Paper, na assembleia de 2022, registrou que a distribuição de dividendos só seria adequada "quando existir consentimento de todos os sócios". Ou seja, por unanimidade.
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