
por Rodrigo Sayeg
Publicado em 15/08/2023, às 05h13
Tive a oportunidade de assistir um verdadeiro espetáculo.
Para aqueles que não sabem, no teatro Renault estava em cartaz a peça de teatro do Rei leão, o clássico da Disney de animação adaptado para o palco.
Uma peça linda, cheia de reviravoltas, momentos impactantes, comédia, emoção e tragédia.
Conta-se ali a história de Simba, filho do rei e sua trajetória para assumir o legado do pai. Não é à toa que esse é o tema da coluna da semana pós dia dos pais.
Começa com um jovem imaturo, querendo ser rei achando que ali teria sua libertação. Aos poucos, na trajetória de sua jornada ele aprende não somente o que é responsabilidade, como também, o que é aceitar as coisas como ela são. Uma mistura de conquista e paz interior que deve ser buscada por todos.
Mas talvez a maior lição daquele clássico é justamente que o legado herdado pelas gerações anteriores há de ser honrado e respeitado. Porém, não pensem que devemos ser iguais aos que nos antecederam. Talvez, o ciclo da vida tão citado naquela obra é justamente a nossa marcha incansável para carregar a bandeira e o fardo que as gerações anteriores tiveram anteriormente de melhorar o mundo. Pelo menos é o que eu tento assumir perante o meu pai, professor Ricardo, defensor perpétuo do Brasil e dos Direitos Humanos. Não é missão fácil suceder o homem que já foi cotado para ser Ministro do Supremo Tribunal Federal, é imortal da Academia Paulista de Direito e Professor Livre-Docente da PUCSP, Escola que me preparou para ser o advogado que sou. Todo o Dia do Advogado, que também passou esse fim de semana, me faz lembrar do peso que o sobrenome carrega.
Era até engraçado, para não dizer intimidador andar nos corredores e se deparar com uma sala com o nome de seu pai no prédio de uma das mais célebres Faculdades de Direito do Brasil.
Todo esse legado, essa missão, nos ombros de alguém que começou recentemente sua carreira. Definitivamente não é fácil. E aí, esses dias assisti outro clássico. Oppenheimer. A história do físico nuclear que descobriu a bomba atômica e sua saga para lidar com seu terrível legado. Seus conflitos, contradições, atos e momentos.
Porém, para não dar muito spoiler (aliás vale muito a pena assistir) tem justamente uma cena que me cativou. Oppenheimer discutindo com Einstein, pai da física moderna relativista, justamente sobre a passagem da tocha e como cada um de nós construímos nosso legado, nos ombros de nossos antecessores, mas a partir de nossas escolhas.
Esse é um equilíbrio que demora anos para se compreender, mas que uma vez compreendido é até libertador. Um verdadeiro Hakuna Matata. Depender da sua escolha no início assusta, aliás jamais Simba seria o grande Mufasa, ou Oppenheimer seria Einstein, mas ambos se tornaram líderes e carregaram pesados fardos. O que cada um fez com esse legado variou, mas no final foi escolha deles. E isso talvez seja a maior lição que todo o pai tenta dar para o seu filho.
Como já disse o meu pai: "a gente ensina o exemplo, depois, o maior desafio de ser pai é confiar na educação deles e deixar a natureza agir". Espero honrar essa educação e quem sabe? Vamos ver para onde essa natureza leva este colunista.
Feliz Dia dos Pais.
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