
por Agenor Duque
Publicado em 04/12/2023, às 08h46
Um importante jornal de São Paulo publicou, no dia 27/11, o artigo “Por que os evangélicos são excluídos da cena literária do Brasil?”, do antropólogo Juliano Spyer. A pergunta que dá título à publicação ecoa a afirmação do experiente Marcos Simas, figura relevante no mercado editorial no país, quando declarou “Vamos ser honestos: eventos literários como a FLIP discriminam os leitores religiosos”.
Tal exclusão é intrigante assim como é curioso que, no inconsciente coletivo haja o pensamento de que cristãos pensem como boiada e que não se interessam por arte e literatura, concebendo-as até como pecado ou uma espécie de falta de espiritualidade, o que está bem longe da verdade a respeito desse grupo que tem sido cada vez mais relevante na educação, na saúde do corpo e da mente, e nas artes.
Só para mencionar poucos exemplos, muitas igrejas evangélicas fundaram escolas (como os colégios Presbiteriano, Betel e diversos outros de educação por princípios) e universidades (Mackenzie, Metodista, Batista...) respeitadíssimas no país. Outras mantém grupos musicais (dos corais tradicionais aos estilos mais modernos, e têm músicos incrivelmente talentosos [inclusive, muitos cantores seculares tiveram seu talento revelado nos palcos das igrejas evangélicas]). Há ainda igrejas que têm e mantém (em instituições missionárias) equipes talentosíssimas de teatro e dança (JOCUM, Jeová Nissi, dentre outras tantas). Tudo isso sem contar as escolas dominicais que são grandes incentivos à leitura e à interpretação textual.
Em geral, o evangélico integra o público que mais lê. Pesquisa recente aponta que um evangélico leia, em média, 7,1 livros por ano (e isso vem aumentando), o que, se comparado ao público não evangélico, é muito superior. Prova disso é que o mercado editorial evangélico tem crescido significativamente, na proporção de 3 vezes mais exemplares vendidos que livros adultos e 4 vezes mais que os de autoajuda, alcançando receita de 558 milhões, segunda a última estatística (2017), perdendo apenas para a literatura didática.
Ao mencionar a FLIP, Spyer afirma que a feira é democrática e diversificada quanto aos tipos de literatura, mas se mantém distanciada de temas relativos à religião, e com isso, 70 milhões de brasileiros e seus milhares de reais são excluídos do evento.
Orgulha-nos saber que em meio à situação triste em que se encontram a educação e o quadro socioeconômico no país, igrejas têm se levantado, assumindo para si a responsabilidade de ofertar ensino de qualidade e formar profissionais altamente gabaritados que possam mudar, ou melhorar, definitivamente sua realidade e de suas famílias associando à fé o desenvolvimento de habilidades e dons recebidos de Deus, por meio da leitura e do constante estudo, fazendo seu papel nas diferentes áreas da sociedade; ao contrário das escolas e universidades seculares que tem se tornado cada vez mais campo de doutrinação ideológica.
Vivemos para presenciar profissionais cristãos de diversas áreas (médicos, psicólogos, empresários, professores etc.), produzindo conteúdos escritos (físicos e on-line) e em vídeo de altíssima qualidade e relevância; artistas que, de fato, foram encontrados por Cristo, fazendo arte de forma cada vez mais profissional e com elevado nível de qualidade (incluindo séries, filmes, musicais que bateram recordes como The Chosen, Derrotando Gigantes, Quarto de Guerra, Corajosos, Deus Não Está Morto, À prova de Fogo, Superação – O Milagre da Fé, Som da Liberdade, Rua Azuza e uma infinidade de outros),cristãos exercendo com empatia e excelência seus ofícios por meio de um atendimento humanizado e acolhedor, relevantes no exercício de sua profissão.
Alegria-nos perceber que os jovens evangélicos terão futuros de grande alcance e relevância simplesmente pelo fato de serem evangélicos e terem vivido a experiência de ser igreja. Há muito o que fazer ainda, mas muito já foi feito e está sendo feito.
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