
por Agenor Duque
Publicado em 26/02/2025, às 08h45
O Chile enfrentou nesta terça-feira (25) um dos piores apagões da sua história, deixando aproximadamente 20 milhões de pessoas sem energia elétrica em diversas regiões do país. O blecaute afetou desde Arica e Parinacota, no extremo norte, até Los Lagos, no sul, atingindo quase 98,5% do território nacional, segundo as autoridades locais.
Caos em Santiago e outras regiões
Na capital Santiago, onde vive cerca de metade da população chilena, a falta de eletricidade colapsou o transporte público, deixando milhares de pessoas presas em estações de metrô sem alternativa para retornar para casa. Os trens pararam subitamente nos trilhos, e a iluminação de emergência das estações mal foi suficiente para evitar o pânico. O sistema de ônibus, que deveria absorver a demanda extra, ficou sobrecarregado e operou com falhas, forçando muitos chilenos a voltarem a pé em meio a ruas congestionadas.
Além disso, falhas intermitentes nas redes de telefonia celular dificultaram a comunicação, deixando milhões sem acesso a notícias e informações. O impacto também foi sentido em hospitais, onde geradores emergenciais precisaram ser ativados para manter equipamentos médicos funcionando.
A torre Costanera Center, o edifício mais alto da América Latina, também ficou sem energia por horas, deixando turistas e trabalhadores em uma situação delicada.
O que provocou o apagão?
Até o momento, as autoridades não confirmaram a causa exata do colapso elétrico, mas especula-se que uma falha sistêmica na matriz energética interconectada tenha sido o gatilho para o blecaute generalizado. O Chile depende fortemente de energia hidrelétrica, solar e eólica, tornando-se vulnerável a oscilações climáticas extremas.
Especialistas indicam que o país pode estar vivendo as consequências de um sistema elétrico obsoleto, incapaz de suportar demandas crescentes e eventos climáticos severos. Em 2024, um forte temporal já havia exposto falhas no fornecimento de energia, resultando em cortes que duraram até 15 dias em algumas regiões, o que levou o governo a multar a distribuidora Enel em 19 milhões de dólares por negligência na manutenção da rede elétrica.
Medidas de emergência
Diante do apagão, o presidente Gabriel Boric interrompeu sua agenda e dirigiu-se à Central de Gestão Operativa dos Carabineiros para acompanhar a situação de perto. Em uma breve declaração, ele garantiu que as equipes de emergência já estavam mobilizadas para restabelecer o fornecimento elétrico, embora não tenha estimado um prazo para a normalização completa do serviço.
O prefeito de Maipú, Tomás Vodanovic, confirmou que a maioria dos bairros da região metropolitana de Santiago foi afetada. “Estamos diante de uma situação sem precedentes, e precisamos agir com rapidez para evitar o colapso total da infraestrutura urbana”, declarou.
A repercussão internacional
O apagão no Chile chamou a atenção de países vizinhos e de organismos internacionais, que acompanham com preocupação a vulnerabilidade energética do país. Nos Estados Unidos e na Europa, especialistas já discutem se o ocorrido pode ser um reflexo das mudanças climáticas e da necessidade urgente de investir em infraestrutura elétrica resiliente.
Enquanto isso, chilenos seguem tentando lidar com as consequências de um país às escuras. Relatos indicam que supermercados tiveram que descartar toneladas de alimentos perecíveis, e que pequenos comerciantes enfrentam prejuízos incalculáveis. Moradores de bairros mais afastados relatam saques e atos de vandalismo, aproveitando a falta de energia para agir na escuridão.
O apagão como alerta
Esse blecaute entra para a história como um dos piores já registrados na América Latina, expondo fragilidades críticas na infraestrutura chilena e gerando um efeito dominó que afeta setores como economia, segurança pública e transporte.
A lição deixada por esse episódio é clara: o Chile precisa urgentemente modernizar seu sistema elétrico e adotar políticas mais rígidas de prevenção, antes que um novo apagão mergulhe o país na escuridão novamente.
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