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23andMe em Colapso: Falência, Renúncia da CEO e o Futuro Incerto dos Dados Genéticos de Milhões

23andMe - Imagem: Reprodução
23andMe - Imagem: Reprodução

Agenor Duque Publicado em 26/03/2025, às 15h32


A outrora revolucionária 23andMe, referência global em testes genéticos domiciliares, sucumbiu à crise e solicitou proteção judicial contra falência sob o Capítulo 11, nos Estados Unidos. Após quase vinte anos de existência, a empresa enfrenta um colapso que abala não apenas seu modelo de negócios, mas a confiança de milhões de clientes ao redor do mundo. Anne Wojcicki, visionária cofundadora e CEO, renunciou ao cargo, embora siga no conselho administrativo. Ela ainda pretende adquirir a própria empresa como licitante independente.

Instalada em São Francisco, a 23andMe anunciou planos de liquidar praticamente todos os seus ativos sob supervisão do judiciário, enquanto tenta reorganizar seus compromissos financeiros. Desde sua entrada na bolsa em 2021, a companhia perdeu quase todo o seu valor de mercado. A retração na procura por testes de ancestralidade e um escândalo de violação de dados em 2023 - que comprometeu as informações genéticas de 7 milhões de usuários - corroeram sua imagem e credibilidade.

Em uma tentativa de sobreviver à tormenta, a empresa demitiu cerca de 40% de sua força de trabalho, extinguiu sua promissora divisão terapêutica e iniciou negociações de venda. O passivo da 23andMe ultrapassa US$ 214 milhões, enquanto seus ativos são estimados em pouco mais de US$ 277 milhões. A situação expõe o abismo entre inovação tecnológica e sustentabilidade econômica.

O epicentro da crise gira em torno da privacidade de dados genéticos de mais de 15 milhões de pessoas. A direção da empresa garante que a segurança das informações permanecerá intacta, porém especialistas em privacidade alertam que uma futura aquisição poderá abrir brechas éticas e legais preocupantes.

"Os dados genéticos sempre foram vulneráveis", afirmou John Bringardner, da Debtwire. Após a falha de segurança em 2023, a 23andMe foi compelida a pagar US$ 30 milhões em acordo judicial, em uma tentativa de reparar o dano causado.

O procurador-geral da Califórnia, atento à gravidade do caso, recomendou que os usuários solicitem a exclusão definitiva de suas informações e amostras biológicas. O episódio serve como alerta ao setor: a era da genética digital exige não apenas precisão científica, mas integridade, transparência e proteção jurídica.

A queda da 23andMe, de ícone da inovação à incerteza absoluta, revela os riscos de negócios baseados em dados sensíveis. Diante do colapso iminente, resta uma pergunta crucial: quem protegerá nosso DNA no mundo corporativo?


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