O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central estimou nesta terça-feira (8) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar

Redação Publicado em 08/02/2022, às 00h00 - Atualizado às 09h41
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central estimou nesta terça-feira (8) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar acima do teto de 5% neste ano, o que representará, se confirmado, o estouro da meta de inflação pelo segundo ano consecutivo.
De acordo com o BC, a inflação deverá somar 5,4%. neste ano. A informação consta na ata da última reunião do Copom, realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia foi elevada de 9,25% para 10,75% ao ano — pela primeira vez em dois dígitos em quatro anos e meio. A instituição também indicou um aumento menor da Selic em março (veja mais abaixo).
Em 2022, a meta central de inflação é de 3,5% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%. Para 2023, a meta de inflação foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.
O juro básicos, fixado a cada 45 dias nas reuniões do Copom, é o principal instrumento do Banco Central para conter o aumento de preços. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, pode reduzir os juros.
No último ano, o IPCA somou 10,06%, o maior desde 2015 e acima do teto da meta de inflação, de 5,25%. Por conta disso, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, teve de escrever uma carta aberta, na qual avaliou que a alta nos preços de commodities (produtos básicos, como alimentos e petróleo), da energia e falta de insumos levaram país a superar a meta.
Na ata do Copom, o BC informou que a decisão de subir o juro na semana passada para 10,75% ao ano é “compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui o anos-calendário de 2022 e, em grau maior, o de 2023”. Com isso, o BC reforçou o cenário em que a inflação retorna para a meta somente no próximo ano.
E, ao mesmo tempo, o BC avaliou que essa decisão de não aumentar mais o juro neste momento para tentar cumprir a meta de inflação já em 2022 “implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”. Ou seja, impede uma queda maior da atividade econômica e, consequentemente, melhora o cenário para a retomada do emprego.
O Copom também indicou que o próximo aumento da taxa básica de juros, em meados do mês de março, será menor.
“Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros”, informou, no documento divulgado nesta terça-feira.
Na reunião da semana passada, o aumento foi de 1,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano.
Para o próximo encontro, em meados de março, a previsão do mercado financeiro, até o momento, é de que a elevação da taxa Selic será de um ponto percentual, para 11,75% ao ano.
Na ata da reunião do Copom da semana passada, divulgada nesta terça-feira, o BC diz que o risco de “desancoragem” das expectativas de inflação do mercado em relação às metas de inflação em prazos mais longos, ou seja, de 2023 em diante, por conta de eventuais aumentos nos gastos públicos, “mantém o viés altista para as projeções do seu cenário de referência”.
Deste modo, o BC avalia que a inflação pode ficar mais alta ainda do que o estimado neste momento, cuja previsão é de 3,2% para o ano de 2023.
“Diante desse resultado, novamente o Copom concluiu que o ciclo de aperto monetário deverá ser mais contracionista [juro mais elevado] do que o utilizado no cenário de referência [que prevê queda da Selic para 8% ao ano até o fim de 2023] ao longo do horizonte relevante”, acrescentou o Banco Central.
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G1
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