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Conheça a história de Abel Ferreira, o técnico campeão da Libertadores com o Palmeiras

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Conheça a história de Abel Ferreira, o técnico campeão da Libertadores com o Palmeiras

Português chegou a abandonar o futebol, foi treinador precoce e alcançou a seleção com Luiz Felipe Scolari

Foi em Penafiel, simpática cidadezinha perto do Porto, no Norte de Portugal, que nasceu Abel Fernando Ferreira Moreira, 42 anos antes de ser campeão da Libertadores da América como técnico do Palmeiras.

Em um dia frio e chuvoso, o Esporte Espetacular visitou o passado do treinador.

O pequeno Abel, número um na lista de chamada de sua classe, morava entre a Igreja de Nossa Senhora do Sameiro e o Estádio Municipal 25 de Abril, a casa do Penafiel, o clube da cidade.

Ficha escolar, com Abel Ferreira como primeiro nome — Foto: Arquivo pessoal

Ficha escolar, com Abel Ferreira como primeiro nome — Foto: Arquivo pessoal

 

Em frente ao estádio, fica a “Rua do 33”, referência a um antigo bar na esquina onde as crianças brincavam. Era a chamada molecada do 33, a rua onde Abel Ferreira nasceu e foi criado.

Aquelas crianças cresceram. Agora são os senhores do 33. Todos continuam por lá, menos Abel, que em 2020 atravessou o Atlântico para descobrir o Brasil.

Abel na base do Penafiel: ele é o quinto agachado, da esquerda para a direita — Foto: Arquivo pessoal

Abel na base do Penafiel: ele é o quinto agachado, da esquerda para a direita — Foto: Arquivo pessoal

 

Os amigos, orgulhosos, mostram as camisas dos clubes pelos quais Abel passou como jogador e treinador – e também fotos de Abel nas categorias de base no Penafiel.

– Brincávamos muito na rua, a jogar futebol. Tínhamos o vício de roubar frutas dos vizinhos, quando éramos miúdos. Brincadeiras de crianças… – lembra Miguel Tica, amigo de infância de Abel.

– Fico contente porque ele conseguiu o que sempre quis e é um orgulho para nós – comenta outro amigo, Miguel Gomes.

Abel Ferreira é o primeiro agachado à esquerda — Foto: Arquivo pessoal

Abel Ferreira é o primeiro agachado à esquerda — Foto: Arquivo pessoal

A turma tem um grupo no WhatsApp e uma vez por ano faz um jantar para reunir os amigos. Abel está no grupo, mas não aparece no jantar há dois anos.

O começo no futebol

 

O treinador Manoel Potinho, lenda do Penafiel e primeiro técnico do Abel na base, lembra de um momento particularmente marcante: o dia em que o menino Abel não apareceu para treinar. Ele havia decidido abandonar o futebol para se dedicar aos estudos.

– No primeiro ano de juniores, ele teve uma pega (uma discussão) com o treinador na altura, que era o Miguel Leal. Refugiou-se na casa dos pais e deixou de aparecer nos treinos. Foi então que contei: “Tens todo o potencial, podes ir muito longe no futebol”. Um dia, volto à casa dele, e ele me diz: “Seu Manuel, se falar lá com o treinador, eu posso voltar” – lembra Potinho.

Abel Ferreira, pelo Sporting, enfrentando Eto'o pelo Barcelona em 2008 — Foto: LLUIS GENE / AFP

Abel Ferreira, pelo Sporting, enfrentando Eto’o pelo Barcelona em 2008 — Foto: LLUIS GENE / AFP

Graças ao treinador, Abel seguiu no futebol, mas sem se descuidar dos estudos. Disciplinado, era o adolescente mais comportado da turma.

E foi assim, focado e dedicado, que conseguiu seguir nos estudos e também no futebol. Virou jogador profissional do Penafiel e se formou em educação física.

– Foi um jogador que acabou por dar nas vistas e por configurar, na época, a transferência mais cara que o clube, até a altura, tinha protagonizado. Estaremos a falar de 100 mil euros – lembra Manuel Fernando Vaz Ribeiro, diretor do Penafiel.

O jogador mais caro da história do Penafiel chegou ao Vitória de Guimarães para ser comandado pelo brasileiro Paulo Autuori, técnico do time naquela época.

– Primeiro, é uma pessoa com excelente nível intelectual. Uma pessoa muito educada, humilde em todos os sentidos. Já demonstrava muito interesse nos aspectos táticos. Já tinha, como jogador, uma leitura tática muito interessante.

Outro famoso treinador brasileiro foi importante na trajetória do comandante palmeirense. Luiz Felipe Scolari, então técnico da seleção portuguesa, convocou Abel para defender o país em 2008.

– O Abel era um jogador tranquilo, que como lateral marcava muito bem. Não era um jogador viril, e eu fiquei muito feliz com a chegada dele ao Palmeiras, com a forma como ele está conseguindo dirigir seus jogadores, a forma tão brilhante como ele se comporta nas entrevistas e a amizade que a gente tem desde aquele tempo – diz Felipão.

Abel foi um lateral-direito dedicado, de muita personalidade. E um jogador de poucos gols (apenas sete) e títulos: uma Taça de Portugal e duas Supertaças, conquistadas pelo Sporting.

Abel Ferreira no Braga, de Portugal, em 2017 — Foto: BURAK AKBULUT / Anadolu Agency via AFP

Abel Ferreira no Braga, de Portugal, em 2017 — Foto: BURAK AKBULUT / Anadolu Agency via AFP

O português se aposentou precocemente, aos 33 anos, depois de uma grave lesão no joelho direito. Virou treinador, primeiro nas categorias de base do clube de Lisboa.

Em 2017, veio a primeira chance de dirigir um time na primeira divisão de Portugal, o Braga. O treinador levou a equipe ao quarto lugar no Campeonato Português, melhor colocação do clube na história. Dois anos depois, o time grego Paok pagou pelo técnico uma multa de 2,5 milhões de euros, equivalente na época a pouco mais de R$ 10 milhões.

Com o título pelo Palmeiras, Abel se consolida como um alto representante da nova escola portuguesa de treinadores, que tem feito sucesso no futebol. Mas seus amigos de Penafiel estão preocupados com questões mais simples: a presença de Abel no jantar deste ano, de preferência com camisas do Palmeiras de presente.

– Pedimos uma camiseta das novas e estamos à espera que essa já venha com os logotipos de campeão do Brasil e da Libertadores – brinca Miguel Tica.

Abel Ferreira chora após título do Palmeiras — Foto: Staff Images/Conmebol

Abel Ferreira chora após título do Palmeiras — Foto: Staff Images/Conmebol

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Fonte: GE – Globo Esporte.

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