Vacina contra bronquiolite chega ao SUS em SP e promete mais proteção para os bebês; saiba quem pode receber

Imunização acessível para gestantes a partir de 28 semanas protege os recém-nascidos nos primeiros meses de vida, reduz internações e elimina custo que antes pesava no orçamento familiar

Gestantes já recebem a vacina contra o VSR na rede pública - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 12/12/2025, às 15h00

A oferta da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), causador da bronquiolite, no Sistema Único de Saúde (SUS), iniciada no início deste mês, marca uma das mudanças mais importantes no cuidado com bebês no país. Principal causa de bronquiolite — infecção respiratória que costuma atingir crianças menores de dois anos — o VSR é responsável por picos anuais de internação e por quadros graves, especialmente nos primeiros meses de vida.

Segundo o infectologista pediátrico Dr. Denis Cavalcante, essa faixa etária é particularmente vulnerável porque o sistema imunológico ainda está em formação e as vias aéreas dos recém-nascidos são mais estreitas.

Quando ocorre a infecção, a inflamação provoca obstrução, aumento da produção de secreções e dificuldade respiratória, levando ao quadro clínico típico da bronquiolite”, explica.

Proteção desde o nascimento

Com a vacina agora disponível no SUS para todas as gestantes a partir de 28 semanas, o cenário deve começar a mudar. Para o especialista, o impacto pode ser histórico.

O VSR é a principal causa de hospitalização por infecção respiratória em bebês. A vacinação na gestação reduz de forma significativa o risco de hospitalização por bronquiolite nos lactentes”, afirma.

Segundo ele, os anticorpos produzidos pela mãe vacinada atravessam a placenta e protegem o bebê desde o nascimento, justamente no período de maior vulnerabilidade.

Imagem: Divulgação

Bebês que mais ganham com a imunização

Prematuros, crianças com cardiopatias ou doenças pulmonares congênitas têm risco até quatro vezes maior de evoluir com quadros graves. Esses grupos já contam com prevenção específica e tendem a se beneficiar ainda mais da imunização materna. Mas o médico reforça que o alerta vale também para os bebês sem doenças prévias: "Bebês saudáveis também podem evoluir com quadros graves”, destaca.

Outro ponto de atenção é a convivência com irmãos mais velhos: "É muito portante evitar contato próximo com pessoas sintomáticas, limitar visitas de crianças em idade escolar, que são importantes transmissoras do vírus.”

Bronquiolite pode levar à internação; imunização reduz risco em bebês

 

Vacina deve reduzir pressão sobre hospitais

Nos últimos anos, o avanço do VSR tem pressionado o sistema de saúde em São Paulo. Dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostram que, em 2024, o estado registrou 6.219 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) por VSR, enquanto em 2025 esse número subiu para 9.441 notificações até 3 de dezembro, com mais de 71 % dos registros em crianças menores de um ano.

Com a imunização agora disponível pelo SUS, a expectativa é reduzir tanto a circulação do vírus quanto a lotação das unidades pediátricas nos meses de maior transmissão. Possibilitando também uma  queda significativa nas formas graves, incluindo casos que exigem UTI e ventilação mecânica.

Em muitos anos, o VSR chega a ocupar de 30% a 50% dos leitos infantis.

A vacinação de gestantes reduz o risco de hospitalização em até 82% nos primeiros 90 dias de vida do bebê e cerca de 71% até os seis meses”, detalha o infectologista Denis Cavalcante.

Alívio no bolso para as famílias

Antes de ser disponibilizada gratuitamente pelo SUS, a vacina contra o VSR — como o imunizante Abrysvo, da Pfizer — tinha um custo elevado na rede privada. O valor de uma única dose variava de R$ 1.620 a R$ 1.950 nos laboratórios do grupo Fleury, enquanto na rede Dasa girava em torno de R$ 1.650. Em algumas clínicas, o preço podia ultrapassar R$ 3,5 mil.

A incorporação ao sistema público representa, portanto, um alívio financeiro importante para gestantes, garantindo acessibilidade a uma proteção essencial para os bebês no período mais vulnerável. 

Perspectiva para os próximos anos

O especialista acredita que o país vive um avanço significativo no enfrentamento ao VSR. Com a combinação entre vacina para gestantes e anticorpos monoclonais de longa duração — já adotados em outros países — a tendência é reduzir internações, casos graves e óbitos.

O cenário é bastante promissor. A expectativa é reduzir de forma consistente as hospitalizações e as formas graves relacionadas ao VSR no Brasil”, conclui.

Mães celebram a novidade

A vendedora Carolina Mendes, de 28 anos, está no sétimo mês de gravidez e recebeu a vacina contra o VSR logo após a liberação pelo SUS. Para ela, o imunizante chegou no momento certo.

"Assim que minha médica comentou que a vacina já estava disponível na rede pública, fui ao posto no mesmo dia. Sempre tive muito receio das doenças respiratórias, então saber que posso proteger meu bebê ainda na barriga me deixou mais tranquila”, conta.

Já a auxiliar administrativa Juliana Rocha, de 31 anos, grávida de 33 semanas, também buscou a imunização assim que soube da liberação no SUS. Ela conta que não hesitou.

“Eu já tinha pesquisado sobre essa vacina, mas o preço era impossível para mim. Quando soube que poderia tomar pelo SUS, senti que era uma chance de oferecer mais segurança para minha filha”, diz.

Com a oferta do imunizante no SUS a prevenção passa a alcançar um número maior de famílias, fortalecendo a resposta contra o VSR desde a gestação até os primeiros meses de vida dos bebês.

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