Estado ultrapassa 200 mil atendimentos em 2025 e reforça a importância da vacinação e do diagnóstico precoce
Gabriela Nogueira Publicado em 12/11/2025, às 14h19
Os números de atendimentos por pneumonia cresceram de forma preocupante em São Paulo neste ano. Entre janeiro e agosto de 2025, o estado registrou 202.357 casos atendidos na rede pública, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde. O número representa um aumento de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando haviam sido contabilizados 167.263 registros.
A escalada ocorre às vésperas do Dia Mundial da Pneumonia, celebrado nesta quarta-feira (12), e reacende o debate sobre a importância da prevenção, vacinação e diagnóstico precoce. Profissionais de saúde destacam que a doença, embora conhecida, ainda é uma das principais causas de mortalidade no mundo — especialmente entre grupos mais vulneráveis.
Infecção silenciosa e de alto risco
De acordo com o pneumologista Rodrigo Abensur Athanazio, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, a pneumonia é uma infecção que causa inflamação no tecido pulmonar e pode evoluir rapidamente se não for tratada a tempo. “Muitas vezes começa com sintomas simples, como febre e tosse, mas pode evoluir para um quadro grave, com falta de ar e cansaço intenso”, explica o médico.
Entre os sinais de alerta estão febre persistente por mais de 48 horas, dor no peito e dificuldade para respirar. Idosos podem apresentar sintomas atípicos, como confusão mental e fraqueza extrema, o que reforça a importância da observação cuidadosa e da busca imediata por atendimento médico.
Grupos de risco e prevenção
Crianças e idosos continuam sendo os grupos mais afetados, por apresentarem sistemas imunológicos mais frágeis. Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, problemas cardíacos ou renais, também integram o grupo de risco, assim como pacientes em tratamentos imunossupressores.
A prevenção, segundo os especialistas, começa com hábitos de vida saudáveis: manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas e evitar o tabagismo, que compromete a capacidade pulmonar e aumenta a suscetibilidade a infecções respiratórias.
A atenção também deve ser redobrada durante os meses frios e secos, quando o ar mais poluído e a aglomeração em ambientes fechados favorecem a disseminação de vírus e bactérias.
Vacinação e cuidados simples ainda salvam vidas
A pandemia de covid-19 reforçou a consciência sobre os cuidados com o sistema respiratório, mas parte da população relaxou nas medidas de prevenção. O pneumologista lembra que higienizar as mãos, usar máscara ao apresentar sintomas e evitar contato próximo com pessoas doentes continuam sendo atitudes eficazes para conter o contágio.
As vacinas pneumocócica e contra a gripe (influenza) estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e são fundamentais para reduzir casos graves e hospitalizações. A recomendação é que idosos, crianças e pessoas com comorbidades mantenham a vacinação em dia.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo reforça que qualquer pessoa com sintomas respiratórios persistentes deve procurar a unidade de saúde mais próxima. A orientação é clara: quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de recuperação e menor o risco de complicações.