Disponível na segunda quinzena de julho

Novo medicamento para Alzheimer chega à rede privada com tratamento a partir de R$ 12 mil

Medicamento indicado para pacientes com a doença em estágio inicial será oferecido em unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro mediante avaliação médica especializada

Tratamento com Leqembi passa a ser disponibilizado em São Paulo e no Rio - Imagem: Divulgação

Julio Cezar Souza Publicado em 15/07/2026, às 11h00

O medicamento Leqembi, indicado para pessoas com Alzheimer em estágio inicial, começará a ser oferecido pela Alta Diagnósticos, marca da Dasa, a partir da segunda quinzena de julho. O tratamento terá custo inicial de R$ 12 mil e será disponibilizado exclusivamente na rede particular.

Os pacientes interessados deverão passar por avaliação no Núcleo de Memória da instituição, responsável pela investigação e acompanhamento de alterações cognitivas. O processo inclui exames como biomarcadores em sangue e líquido cefalorraquidiano, PET-CT cerebral e testes genéticos, quando indicados.

A terapia somente poderá ser iniciada após prescrição médica e confirmação de que o paciente atende aos critérios clínicos estabelecidos para o uso do medicamento.

O Leqembi atua reduzindo o acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, consideradas uma das principais alterações biológicas associadas ao desenvolvimento do Alzheimer. Ao diminuir essas placas, o tratamento busca retardar a evolução da doença.

Até então, os tratamentos disponíveis tinham como principal objetivo aliviar sintomas relacionados à memória, ao comportamento e à capacidade funcional dos pacientes. A nova terapia representa uma mudança de abordagem ao atuar diretamente em um dos mecanismos envolvidos na progressão da enfermidade.

Estudos clínicos publicados no New England Journal of Medicine apontaram benefícios na preservação da cognição e da autonomia dos pacientes ao longo do acompanhamento, embora não tenham demonstrado efeitos específicos e isolados sobre funções como memória ou linguagem.

Segundo o neurologista Diogo Haddad, coordenador do Núcleo de Memória da Alta Diagnósticos, o novo medicamento inaugura uma fase diferente no tratamento da doença.

"Pela primeira vez, estamos entrando em uma era em que o tratamento do Alzheimer vai além do controle dos sintomas e passa a atuar diretamente sobre um dos mecanismos biológicos envolvidos na progressão da doença. Isso significa oferecer aos pacientes mais tempo de autonomia, independência e qualidade de vida, além de criar perspectivas para familiares e cuidadores", afirmou.

O uso do Leqembi é indicado para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve decorrentes da doença de Alzheimer. Além do estágio clínico, é necessário confirmar a presença das placas de beta-amiloide por meio de exames específicos, como o PET amiloide ou a análise de biomarcadores no líquido cefalorraquidiano, antes da indicação do tratamento.

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