Jovens e Adolescentes

Especialistas apontam crescimento de casos de automutilação entre jovens

Rede de apoio familiar e escolar é essencial para prevenção e tratamento.

Profissionais de saúde ressaltam necessidade de acolhimento imediato - Imagem: Reprodução/Agência EBC

Gabriela Nogueira Publicado em 22/09/2025, às 18h02

Um novo relatório da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), divulgado nesta segunda-feira (22), revela uma preocupante taxa de autoagressão entre adolescentes brasileiros, com um caso registrado a cada 10 minutos. Os dados, que abrangem jovens entre 10 e 19 anos, ressaltam a importância de uma abordagem sensível e acolhedora para lidar com essa questão crítica.

As informações foram coletadas por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que compila registros oriundos da rede pública de saúde e, em alguns casos, instituições educacionais e sociais. Este estudo foi realizado em paralelo ao Setembro Amarelo, um mês dedicado à conscientização sobre a prevenção do suicídio.

Nos últimos dois anos, o levantamento indicou uma média diária de 137 atendimentos relacionados a situações de autoagressão e tentativas de suicídio na faixa etária mencionada. A SBP alerta que esses números podem não refletir a realidade completa, uma vez que existe uma significativa possibilidade de subnotificação devido a falhas na comunicação dos casos, especialmente em atendimentos na rede privada ou em ambientes escolares.

A entidade destaca a obrigatoriedade dos registros no Sinan, enfatizando que todos os profissionais envolvidos no atendimento de adolescentes nessas condições devem reportar as ocorrências. "Isso implica que a situação pode ser ainda mais alarmante do que os dados oficiais sugerem", afirmou a SBP.

É essencial que pais, responsáveis e educadores estejam atentos às necessidades emocionais dos adolescentes. A SBP recomenda que o acompanhamento regular com pediatras seja parte da estratégia preventiva, permitindo a identificação precoce de sinais de alerta e o fornecimento de orientações tanto aos jovens quanto às suas famílias.

Para aqueles que se sentem sobrecarregados por pensamentos suicidas ou que necessitam de suporte emocional, é fundamental buscar ajuda em redes de apoio, incluindo familiares e amigos. O Ministério da Saúde ressalta a importância do diálogo com pessoas de confiança e incentiva o acesso aos serviços de saúde.

Entre as opções disponíveis para assistência está o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece suporte emocional gratuito e confidencial 24 horas por dia, através do telefone (188) e outros meios como e-mail e chat.

No que diz respeito à distribuição geográfica dos casos registrados, o Sudeste concentra quase 50% das notificações no país, somando 46.918 casos em 2023 e 2024. São Paulo destaca-se com 24.937 registros. O Nordeste ocupa a segunda posição com 19.022 casos, sendo Ceará e Pernambuco os estados mais afetados. O Sul apresenta números semelhantes (19.653), enquanto o Centro-Oeste registrou 9.782 notificações e o Norte contabilizou 5.303 ocorrências.

Outro aspecto alarmante identificado pelo estudo é o número elevado de hospitalizações decorrentes de violência autoprovocada, com cerca de 3.800 internações relatadas entre 2023 e 2024 - uma média preocupante de cinco internações diárias. A maioria dos casos envolve adolescentes entre 15 e 19 anos.

Além disso, aproximadamente mil jovens entre 10 e 19 anos falecem anualmente no Brasil em decorrência do suicídio. Em 2023, foram registrados 1.100 óbitos, enquanto em 2022 esse número foi de 1.200, segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). O grupo etário mais vulnerável é aquele compreendido entre 15 e 19 anos.

A SBP listou sinais que podem indicar sofrimento emocional severo nos adolescentes: mudanças bruscas de comportamento, tristeza persistente, isolamento social ou envolvimento em atividades autodestrutivas são alguns deles. Durante essa fase da vida marcada por intensas transformações, os jovens enfrentam pressões externas significativas e uma maior vulnerabilidade emocional.

A entidade também aponta um aumento nos casos de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes como fatores preocupantes. Elementos como sobrecarga familiar, um sistema educacional focado apenas em conteúdo acadêmico e riscos associados ao ambiente digital contribuem para essa crise na saúde mental juvenil.

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