Instituto Butantan

Butantan apresenta primeira vacina de dose única contra a dengue

Após a aprovação da Anvisa, o Instituto espera fornecer cerca de 100 milhões de doses ao Ministério da Saúde nos próximos três anos

Butantan apresenta primeira vacina de dose única contra a dengue - Imagem: Reprodução / Freepik

William Oliveira Publicado em 16/12/2024, às 12h58

O Instituto Butantan protocolou, nesta segunda-feira (16), o pedido de registro de sua vacina contra a dengue na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se aprovada, a vacina será a primeira no mundo a oferecer proteção com apenas uma dose, o que representa um avanço importante, com potencial para aumentar a adesão em comparação às vacinas disponíveis atualmente.

Em entrevista à imprensa, o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, destacou o impacto dessa inovação: "É um dos maiores avanços da saúde e da ciência na história do país e uma enorme conquista em nível internacional. Que o Instituto Butantan possa contribuir com a primeira vacina do mundo em dose única contra a dengue mostra que vale a pena investir na pesquisa feita no Brasil e no desenvolvimento interno de imunobiológicos".

Após a aprovação da Anvisa, o Instituto espera fornecer cerca de 100 milhões de doses ao Ministério da Saúde nos próximos três anos, com um milhão de doses previstas para 2025 e o restante distribuído nos dois anos seguintes.

A definição dos critérios para vacinação será responsabilidade do Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A unidade de produção da vacina já foi inspecionada pela Anvisa e recebeu o certificado de Boas Práticas de Fabricação (BPF), atestando sua adequação para operação.

A vacina Butantan-DV é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue presentes no Brasil. Os ensaios clínicos começaram em 2010 e os resultados da terceira fase demonstraram uma eficácia geral de 79,6% na prevenção da doença dois anos após a aplicação da dose única. Para aqueles com histórico prévio de infecção pelo vírus, a resposta imune foi de 89,2%, enquanto para os sem histórico de infecção, a eficácia foi de 73,6%.

A pesquisa envolveu 16 mil pessoas de diversas regiões do Brasil, e seus resultados foram publicados na renomada revista New England Journal of Medicine.

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