Remédio indicado para hemofilia A e B poderá ajudar a prevenir hemorragias em pacientes a partir de 12 anos; Brasil tem mais de 14 mil pessoas diagnosticadas com a doença.
Redação Publicado em 05/03/2026, às 10h57
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento voltado ao tratamento da hemofilia no Brasil. O remédio, chamado Qfitlia (fitusirana sódica), poderá ser utilizado para prevenir ou reduzir episódios de sangramento em pacientes com hemofilia A ou hemofilia B, inclusive em casos com inibidores dos fatores de coagulação.
O medicamento é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos e teve sua análise priorizada pela Anvisa por se tratar de uma doença rara. O registro foi concedido à farmacêutica Sanofi Medley e publicado no Diário Oficial da União.
Segundo a agência reguladora, o tratamento poderá ajudar a reduzir as hemorragias recorrentes, que estão entre os principais desafios enfrentados por pessoas com hemofilia.
A hemofilia é uma doença genética rara que afeta a capacidade do sangue de coagular corretamente. Pacientes com a condição apresentam deficiência em proteínas essenciais para interromper sangramentos, conhecidas como fatores de coagulação.
Existem dois principais tipos da doença. A hemofilia A, causada pela ausência do fator VIII, representa cerca de 80% dos casos, enquanto a hemofilia B está relacionada à deficiência do fator IX.
Sem esses fatores, o organismo não consegue concluir o processo natural de coagulação. Assim, sangramentos podem durar mais tempo do que o normal e, em casos mais graves, ocorrer até mesmo sem trauma aparente.
Além de ferimentos externos, a hemofilia também pode provocar sangramentos internos, principalmente nas articulações, o que pode causar inflamações, dor crônica e até limitações de movimento ao longo do tempo.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil possui 14.202 pessoas diagnosticadas com hemofilia, sendo 11.863 com hemofilia A e 2.339 com hemofilia B.
Tradicionalmente, o tratamento envolve a reposição intravenosa dos fatores de coagulação ausentes no organismo. No entanto, novas terapias vêm sendo desenvolvidas com o objetivo de reduzir a frequência das aplicações e prevenir episódios hemorrágicos.
Especialistas apontam que medicamentos mais modernos podem representar um avanço importante na qualidade de vida de pacientes que convivem com a doença.