Tratamentos

Anvisa aprova medicamento que desacelera avanço do Alzheimer no Brasil

Leqembi é indicado para pacientes em estágio inicial da doença

A eficácia do Leqembi foi comprovada em estudo internacional, mostrando redução no declínio cognitivo em pacientes com Alzheimer em estágio inicial - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 08/01/2026, às 16h17

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) autorizou a comercialização do Leqembi no Brasil, um novo medicamento voltado ao tratamento da doença de Alzheimer. A decisão marca um avanço relevante no cuidado com a demência, já que o remédio atua sobre um dos mecanismos centrais da doença e não apenas no alívio dos sintomas.

Desenvolvido a partir do anticorpo monoclonal lecanemabe, o Leqembi é indicado para pessoas com demência leve causada pelo Alzheimer, especialmente nos estágios iniciais. A substância age estimulando o sistema imunológico a remover as placas de beta-amiloide acumuladas no cérebro, um dos principais fatores associados à progressão da doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de um milhão de brasileiros convivem atualmente com o Alzheimer, considerada a principal causa de demência no mundo. Até então, os tratamentos disponíveis se concentravam em amenizar efeitos como perda de memória e dificuldades cognitivas, sem interferir diretamente no processo neurodegenerativo.

A liberação do Leqembi ocorreu em 22 de dezembro de 2025 e segue o caminho de outros países. Desde 2023, o medicamento já é aprovado e utilizado nos Estados Unidos, após análise da Food and Drug Administration.

A eficácia do lecanemabe foi demonstrada em um estudo internacional de grande escala, publicado em 2022 na revista científica New England Journal of Medicine. A pesquisa acompanhou 1.795 pacientes com Alzheimer em estágio inicial, que receberam infusões do medicamento a cada duas semanas ao longo de 18 meses. Os resultados indicaram uma redução significativa no ritmo de declínio cognitivo e funcional dos participantes.

Especialistas avaliam a aprovação como um passo importante, embora ainda cercado de cautela. Para o neurocirurgião Helder Picarelli, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o tratamento abre uma nova frente no combate à doença. Segundo ele, trata-se de uma abordagem inovadora, focada na raiz biológica do Alzheimer, mas que ainda precisa de mais tempo de uso e acompanhamento para que seus benefícios e riscos sejam plenamente compreendidos.

O medicamento é administrado por infusão intravenosa e deve ser prescrito após avaliação médica detalhada, já que envolve custos elevados e possíveis efeitos adversos.

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