Casos raros de inflamação hepática foram registrados em diferentes países; agência reforça que uso da cúrcuma na alimentação continua seguro
Letícia Sales Publicado em 06/03/2026, às 11h27
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta sexta-feira (6) um alerta de farmacovigilância sobre o uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma, também conhecida como açafrão. A medida ocorre após investigações internacionais apontarem casos raros, porém graves, de inflamação e danos ao fígado associados ao consumo desses produtos em cápsulas ou em extratos concentrados.
Segundo a agência reguladora, os episódios foram relacionados principalmente a formulações que aumentam a absorção da substância no organismo. “O problema está associado especialmente a formulações e tecnologias que promovem um aumento na absorção da curcumina em níveis muito acima do consumo normal”, informou a Anvisa em nota.
O alerta segue movimentos semelhantes adotados por órgãos reguladores de outros países. Autoridades de saúde da Itália, Austrália, Canadá e França já emitiram comunicados após registrarem casos de intoxicação hepática associados ao uso de suplementos contendo cúrcuma.
Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho identificou dezenas de relatos de efeitos adversos relacionados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcumina, incluindo episódios de hepatite.
O alerta apresenta orientações para profissionais de saúde, fabricantes de medicamentos e suplementos alimentares e consumidores”, destacou a Anvisa.
Uso culinário segue seguro
A agência ressaltou que o alerta não se aplica ao uso da cúrcuma na alimentação cotidiana. O tempero, amplamente utilizado na culinária, não apresenta riscos conhecidos nas quantidades normalmente consumidas.
O pó usado na culinária é seguro e não integra o alerta, uma vez que não há evidências de risco associado ao consumo da cúrcuma como alimento e aditivo alimentar. A diferença é que, em medicamentos e suplementos, o produto possui concentrações mais altas e uma capacidade de ser mais absorvido pelo organismo”, completou a agência.
Sinais de alerta
A Anvisa também orienta consumidores e profissionais de saúde a ficarem atentos a possíveis sintomas que podem indicar problemas no fígado após o uso de suplementos ou medicamentos com cúrcuma.
Entre os sinais que exigem avaliação médica estão pele ou olhos amarelados (icterícia), urina muito escura, cansaço excessivo sem explicação aparente, além de náuseas e dores na região abdominal.
Caso esses sintomas apareçam, a recomendação é interromper imediatamente o uso do produto e procurar atendimento médico.
A agência ainda orienta que suspeitas de eventos adversos relacionados a medicamentos sejam registradas no sistema VigiMed. Já no caso de suplementos alimentares, as notificações devem ser feitas por meio do e-Notivisa.
Mudanças nas bulas e rótulos
Como medida preventiva, a Anvisa determinou a atualização das bulas dos medicamentos Motore e Cumiah, que contêm cúrcuma em sua composição, para incluir novos avisos de segurança.
Além disso, a agência informou que pretende reavaliar o uso da substância em suplementos alimentares e passará a exigir advertências obrigatórias nos rótulos dos produtos, alertando consumidores sobre a possibilidade de efeitos adversos.