Intrigas

Vereadores trocam acusações e caso vai parar na polícia

O vereador do PSOL relatou à polícia que usou a palavra "moleque" durante a discussão, mas nega ter partido para agressões

O vereador do PSOL relatou à polícia que usou a palavra "moleque" durante a discussão, mas nega ter partido para agressões - Imagem: Divulgação / Câmara de Rio Preto / TV Câmara

Jair Viana Publicado em 12/03/2025, às 17h34

Um novo episódio de tensão marcou a Câmara Municipal de São José do Rio Preto nesta terça-feira (11), quando o presidente da Casa, Luciano Julião (PL), e o vereador João Paulo Rillo (PSOL) protagonizaram um desentendimento acalorado após a sessão ordinária. O conflito, que terminou com ambos registrando boletim de ocorrência na Delegacia Seccional, ocorreu após a retirada de pauta de um projeto que propunha a prorrogação do horário das sessões legislativas.

De acordo com Rillo, Julião teria feito "intimidação física e verbal" na garagem do prédio da Câmara, logo após o término da reunião. O vereador do PSOL relatou à polícia que usou a palavra "moleque" durante a discussão, mas nega ter partido para agressões. "Fui confrontado de forma violenta, sem qualquer provocação além das críticas políticas", afirmou Rillo. Já Julião acusa o colega de "ofensas morais e desrespeito à autoridade do cargo", alegando que as declarações de Rillo ultrapassaram os limites do debate institucional.

Cenário de Polarização

Os sucessivos conflitos refletem a polarização política na Câmara de Rio Preto, onde a base governista, liderada por Julião, enfrenta resistência de opositores em temas como ajuste fiscal e políticas sociais. Especialistas apontam que a tensão tem impacto direto na produtividade legislativa: dos 45 projetos propostos em 2024, apenas 12 foram votados até junho.

Próximos Passos

O caso entre Julião e Rillo será investigado pela Delegacia Seccional de Rio Preto. Enquanto isso, o Ministério Público Estadual anunciou que acompanhará os desdobramentos para "garantir a integridade do processo democrático". Para o sociólogo Paulo Mendes, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), os episódios exigem mediação urgente: "O Legislativo não pode se tornar um palco de conflitos pessoais. É preciso resgatar o respeito ao debate de ideias, base da democracia".

Enquanto a crise não se resolve, moradores cobram postura dos eleitos. "Eles foram votados para trabalhar, não para brigar. Queremos projetos que melhorem a cidade, não notícia de confusão", desabafou a aposentada Maria das Graças, de 68 anos, em frente à Câmara Municipal.

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