Presidente americano citou a Colômbia e disse que qualquer nação que envia drogas aos EUA pode ser alvo
Gabriela Nogueira Publicado em 02/12/2025, às 20h07
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um discurso mais duro nesta terça-feira (2) ao afirmar que países envolvidos na produção e exportação de drogas para o território americano podem ser alvo de ações militares. A declaração foi feita durante uma reunião com secretários da Casa Branca e ocorre em meio a um cenário de crescente preocupação global com o avanço do tráfico internacional.
A fala do presidente veio logo após a divulgação do Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, elaborado pela ONU, que aponta Colômbia, Peru e Bolívia como os principais responsáveis pelo envio de cocaína aos Estados Unidos. Durante a reunião, Trump fez críticas diretas à Colômbia, sugerindo que laboratórios clandestinos continuam abastecendo o mercado americano. Ele reforçou que a ameaça não se limita à Venezuela, frequentemente alvo de seu governo, e disse que qualquer país envolvido no tráfico internacional pode ser considerado um risco à segurança nacional.
No Caribe, os EUA já realizam desde setembro uma operação militar focada na interceptação de cargas ilegais. Embora a Venezuela esteja no centro das atenções, autoridades americanas admitem preocupação semelhante com outras rotas, especialmente as que passam pela Colômbia.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, respondeu prontamente às declarações. Em tom crítico, ele afirmou estar empenhado no combate diário à produção de cocaína e convidou Trump a testemunhar a destruição de laboratórios no país. Segundo Petro, os esforços colombianos são constantes e fundamentais para reduzir o fluxo de drogas rumo ao Norte.
O relatório da ONU também destaca o México como principal origem do fentanil que chega aos Estados Unidos, substância ligada a uma série de overdoses que atingiram níveis alarmantes nos últimos anos. Esse cenário reforça a pressão por maior coordenação internacional no enfrentamento ao narcotráfico.
Em meio a essas tensões, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, conversou recentemente com Trump sobre a necessidade de fortalecer a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado. O governo americano demonstrou disposição em ampliar ações conjuntas, especialmente em áreas de inteligência e rastreamento de redes transnacionais.
Além de Colômbia, Peru, Venezuela e México, o Departamento de Estado dos EUA divulgou uma lista ampliada de países considerados estratégicos para a produção ou o trânsito de drogas ilícitas. Entre eles estão Afeganistão, Jamaica, República Dominicana, Índia e Costa Rica, entre outros.
As trocas de declarações e o endurecimento da retórica deixam claro que o narcotráfico continua sendo um dos principais pontos de atrito e cooperação internacional, exigindo respostas conjuntas e políticas mais amplas para enfrentar um problema que afeta todos os continentes.