Nas eleições, Marçal divulgou laudo falsificado com assinatura de médico já falecido, acusando adversário de uso de drogas
Marina Milani Publicado em 09/11/2024, às 08h44
A Polícia Federal indiciou nesta sexta-feira (8) o candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) pelo crime de uso de documento falso. Marçal apresentou um laudo fraudulento em 4 de outubro, véspera do primeiro turno, com acusações contra seu adversário Guilherme Boulos (PSOL), no qual o documento alegava, sem comprovações válidas, que Boulos teria envolvimento com uso de substâncias ilícitas.
Após horas de depoimento na Superintendência da PF em São Paulo, Marçal negou o envolvimento direto no caso, atribuindo a responsabilidade à sua equipe. No entanto, peritos federais confirmaram a falsificação ao constatar que a assinatura do suposto médico responsável, José Roberto de Souza, falecido em 2022, não condizia com a grafia do documento. O exame grafotécnico revelou claras dissimilaridades, concluindo que “os manuscritos questionados não foram produzidos pela mesma pessoa.”
A filha do médico, Aline Garcia Souza, reforçou que seu pai nunca trabalhou na clínica mencionada e jamais ofereceu atendimento a dependentes químicos, desmentindo a autenticidade do documento divulgado. Luiz Teixeira da Silva Junior, sócio da clínica Mais Consulta — que Marçal alegou ser a origem do laudo — também declarou que seu nome foi utilizado sem consentimento e que jamais atendeu o deputado do PSOL.
Agora indiciado, Marçal aguarda a conclusão do inquérito, que será enviado ao Ministério Público. Caso o MP decida apresentar a denúncia e esta seja aceita, Marçal poderá responder judicialmente, tornando-se réu em processo criminal.