Paulo Gonet recusou aproximação da defesa de Daniel Vorcaro no STF; investigadores avaliam que material já apreendido torna delação dispensável

Letícia Sales Publicado em 30/06/2026, às 10h56
A defesa de Daniel Vorcaro tentou mais uma vez abrir caminho para um acordo de colaboração premiada no caso Master — e foi ignorada. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou a investida e deixou claro nos bastidores que não há mais espaço para negociação com o banqueiro investigado por um esquema bilionário de corrupção e fraude envolvendo o Banco Master. A informação é do jornal O Globo.
A tentativa mais recente aconteceu na semana passada, em um dos espaços mais simbólicos do país: o salão branco do Supremo Tribunal Federal, frequentado por ministros e advogados antes das sessões e nos intervalos dos julgamentos. Foi lá que o advogado Sérgio Leonardo, responsável pela defesa de Vorcaro, abordou Gonet diretamente e sinalizou que seu cliente estaria disposto a apresentar uma nova proposta, com informações de interesse tanto da Polícia Federal quanto da Procuradoria-Geral da República. A resposta foi imediata e sem margem para dúvidas: "A defesa tentou retomar o assunto, mas Gonet fechou as portas."
Desconfiança dos dois lados
A nova tentativa de aproximação é recebida com ceticismo tanto pela PGR quanto pela PF. Nos bastidores da investigação, que apura o esquema pela Operação Compliance Zero, a avaliação é de que Vorcaro busca melhorar sua situação processual sem demonstrar disposição real de confessar os crimes que lhe são atribuídos.
Há ainda outro fator que enfraquece o apelo de uma eventual delação: o volume de dados já obtidos pelos investigadores. Nas palavras que circulam nos corredores da operação, "só o celular de Vorcaro já é uma delação" — uma referência ao material extraído dos aparelhos do banqueiro e de outros alvos. Para a PF, esse acervo seria suficiente para sustentar o avanço das apurações sem depender de qualquer acordo com o principal investigado.
Transferência e isolamento
Outro sinal do esfriamento das negociações veio do STF. O ministro André Mendonça, relator do caso, autorizou na última quinta-feira (25) a transferência de Vorcaro da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, conhecido como Papudinha. Na unidade, o banqueiro cumprirá inicialmente um período de isolamento sanitário de pelo menos dez dias, procedimento padrão para presos recém-transferidos ao local.
Ao autorizar a mudança, Mendonça determinou que a unidade adotasse medidas para impedir qualquer comunicação entre os presos ligados à Operação Compliance Zero: "A medida deverá ser implementada de forma proporcional e compatível com a rotina administrativa e de segurança da unidade, sem prejuízo da observância dos direitos mínimos assegurados às pessoas privadas de liberdade."
Na Papudinha, Vorcaro terá um vizinho de peso: o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também preso no âmbito das mesmas investigações. A unidade, administrada pela PM e não pela Secretaria de Administração Penitenciária do DF, oferece estrutura diferenciada em relação às demais alas do complexo prisional de Brasília — com chuveiro quente, cozinha equipada, geladeira, armários, cama de casal e televisão.
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