Governo federal promete expandir acesso a medicamentos de alto custo, cirurgias robóticas e reconstrução mamária na rede pública
Letícia Sales Publicado em 15/05/2026, às 13h24
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (15) um pacote de R$ 2,2 bilhões voltado à ampliação do tratamento contra o câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). O lançamento foi feito ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e representa, segundo o governo federal, o maior investimento já realizado na área dentro da rede pública.
Entre as principais medidas está a criação de uma nova tabela de financiamento do SUS para garantir a oferta de 23 medicamentos oncológicos de alto custo. O pacote também prevê a implantação do financiamento permanente para cirurgias robóticas oncológicas e a ampliação do acesso à reconstrução mamária.
De acordo com o Palácio do Planalto, o aumento de 35% na oferta de medicamentos deve beneficiar cerca de 112 mil pacientes em todo o país. O governo afirma que parte dos tratamentos já havia sido incorporada ao SUS anteriormente, mas aguardava liberação efetiva há anos.
Os medicamentos contemplam 18 tipos diferentes de câncer, incluindo mama, pulmão, leucemia, ovário e estômago. Dez deles serão comprados diretamente pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos estados. Os demais serão disponibilizados por meio da Autorização de Procedimento Ambulatorial (Apac), com financiamento federal.
Segundo o governo, dependendo do tratamento necessário, um paciente poderá economizar até R$ 630 mil em comparação com os custos da rede privada.
Durante o anúncio, Lula afirmou que o objetivo é ampliar o acesso da população aos tratamentos de alta complexidade.
“Muita gente acha: ‘O Lula só se preocupa com os pobres’. Não é verdade. Não tenho nada contra as pessoas que têm alguma coisa a mais, que têm bens, que ganharam dinheiro trabalhando. Não tenho nenhum problema. A única coisa é que o Estado tem a função de fazer justiça e dar oportunidade de igualdade a todas as pessoas”, declarou o presidente.
“O que estamos fazendo aqui é dizer a vocês que o Brasil entrou numa rota de civilidade. O pobre não será mais tratado como invisível. Ele existe e é real”, completou.
O pacote também amplia o direito à cirurgia plástica reconstrutiva pelo SUS. Antes restrito principalmente a pacientes com sequelas de câncer, o procedimento passará a atender todos os casos de mutilação mamária parcial ou total.
Segundo o governo federal, o investimento previsto para essa área será de R$ 27,4 milhões por ano, valor cerca de 13% maior do que o registrado em 2025.
Outra novidade anunciada é o financiamento permanente da cirurgia robótica para tratamento do câncer de próstata. A expectativa é de investimento de R$ 50 milhões e atendimento de aproximadamente 5 mil homens.
De acordo com o Ministério da Saúde, a tecnologia permite maior precisão durante os procedimentos cirúrgicos, reduzindo perdas sanguíneas e a necessidade de transfusões.