Propinas de R$ 68 milhões levam Odebrecht, Vaccari e outros 37 a responderem por crimes na Lava Jato
Marina Milani Publicado em 04/12/2024, às 07h52
A Justiça Eleitoral do Distrito Federal transformou em réus Marcelo Odebrecht, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-diretor da Petrobras Renato Duque e mais 36 pessoas, em um desdobramento da 56ª fase da Operação Lava Jato. A denúncia do Ministério Público Eleitoral do DF envolve o caso conhecido como Torre Pituba, que apura um suposto pagamento de R$ 68 milhões em propinas nas obras de ampliação do Conjunto Torre de Pituba, sede da Petrobras em Salvador.
A decisão, assinada pela juíza Rejane Zenir, destaca que os indícios de materialidade dos crimes foram bem fundamentados nos documentos e depoimentos apresentados. Os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
Os advogados de Marcelo Odebrecht argumentaram que o Supremo Tribunal Federal (STF) já anulou todas as investigações e processos contra ele relacionados à Lava Jato, pedindo sua exclusão da ação. A Justiça Eleitoral, no entanto, decidiu prosseguir com a denúncia.
O esquema da Torre Pituba é considerado um dos mais emblemáticos da Lava Jato, devido ao volume de propinas e ao número de envolvidos. O Ministério Público Federal apontou desvios bilionários que atingiram a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, além de reforçar o funcionamento de uma estrutura organizada de corrupção e lavagem de dinheiro.