Recurso será usado para garantir acolhimento, transporte e assistência a repatriados após aumento das deportações em 2025
Lívia Gennari Publicado em 15/06/2025, às 16h05
O governo federal editou uma medida provisória que destina R$ 15 milhões para custear despesas urgentes relacionadas à acolhida de brasileiros deportados dos Estados Unidos. A decisão visa garantir suporte às pessoas que estão retornando ao Brasil após a decisão do presidente Donald Trump.
O recurso será utilizado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para financiar o deslocamento de equipes e profissionais que atuarão diretamente na recepção dos repatriados nas cidades de Fortaleza (CE) e Belo Horizonte (MG). Essas equipes são responsáveis por oferecer atendimento, suporte e encaminhamentos necessários aos brasileiros que chegam em situação de vulnerabilidade.
No fim de maio, um grupo de 103 brasileiros deportados dos Estados Unidos desembarcou no Brasil em um voo fretado pelas autoridades americanas. Desses, 24 permaneceram em Fortaleza, 76 seguiram para Confins, em Minas Gerais, e três foram detidos pela Polícia Federal devido a pendências judiciais em território nacional.
O aumento das deportações está diretamente ligado ao endurecimento das políticas migratórias dos Estados Unidos, que passaram a ser mais rigorosas desde o primeiro mandato do ex-presidente Donald Trump, em 2017, e continuam sendo fortalecidas no atual governo americano.
Com essa nova operação, o número de voos de repatriação com destino ao Brasil já chega a quase dez somente em 2025, refletindo o crescimento do fluxo de brasileiros que tentam migrar ilegalmente em busca de melhores condições, mas que acabam sendo deportados.
Entre fevereiro e maio deste ano, a União já trouxe de volta ao país 783 brasileiros em situação de vulnerabilidade no exterior, sendo a maioria proveniente dos Estados Unidos. Do total, 616 são homens, 155 mulheres e 12 não tiveram o gênero informado.
O movimento crescente das deportações em massa evidencia os desafios da migração irregular, exigindo do Brasil a estruturação adequada para a recepção e reinserção social desses cidadãos.