Desvios de mais de R$ 6 bilhões em descontos indevidos de aposentadorias levam à saída do ministro e abalam o governo Lula
Manoela Cardozo Publicado em 03/05/2025, às 12h47
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, anunciou sua renúncia nesta sexta-feira (2), em meio a um escândalo de grandes proporções envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Investigações revelaram que, entre 2019 e 2024, o INSS descontou indevidamente contribuições sindicais de aposentadorias, totalizando mais de R$ 6 bilhões.
A fraude, que afetou milhões de aposentados, envolveu a inscrição automática e sem consentimento em associações que cobravam taxas mensais. A operação beneficiou uma rede de sindicatos, incluindo um liderado por Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Polícia Federal já prendeu seis pessoas e apreendeu cerca de R$ 1 bilhão em ativos. Onze organizações estão sob investigação por crimes como corrupção, falsificação e lavagem de dinheiro.
Carlos Lupi, ao anunciar sua saída, negou envolvimento no esquema, mas reconheceu falhas na supervisão do INSS. O presidente Lula aceitou a renúncia e nomeou Wolney Queiroz, então secretário-executivo da pasta, como substituto.
O governo prometeu ressarcir os aposentados prejudicados e reforçar os mecanismos de controle para evitar novas fraudes. O escândalo ocorre em um momento delicado para Lula, cuja popularidade está em queda.