O presidente enfatiza a urgência de ações coordenadas para combater a evolução da criminalidade global
Gabriela Thier Publicado em 09/06/2025, às 18h04
Na última segunda-feira (9), durante uma visita à sede da Interpol em Lyon, França, o Brasil e a organização policial internacional formalizaram uma declaração de intenção que visa ampliar a colaboração entre as partes e facilitar novas operações conjuntas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância deste passo, ressaltando os desafios impostos pela globalização no combate ao crime transnacional.
"A globalização trouxe à tona a formação de grupos criminosos que operam além das fronteiras. A evolução da criminalidade é alarmante, exigindo respostas urgentes e coordenadas em nível internacional", afirmou Lula, reiterando que a cooperação policial será uma prioridade na política externa brasileira.
O presidente enfatizou a necessidade de enfraquecer os mecanismos financeiros que sustentam o crime, como a lavagem de dinheiro, e destacou que nenhum país conseguirá enfrentar essa questão isoladamente. Ele também mencionou as políticas implementadas pelo governo atual para lidar com essas ameaças.
A declaração de intenções com a Interpol contempla diversas diretrizes:
Desde novembro de 2024, a Interpol é liderada pelo delegado da Polícia Federal (PF) Valdecy Urquiza, que se tornou o primeiro secretário-geral oriundo de um país em desenvolvimento em mais de um século de história da organização. Lula expressou orgulho pela escolha de Urquiza, destacando a credibilidade do Brasil no combate ao crime organizado e elogiando seu trabalho e dedicação.
O presidente alertou sobre a complexidade do cenário atual: "O crime organizado não é apenas uma simples quadrilha; são estruturas sofisticadas, verdadeiras multinacionais infiltradas em diversos setores como política, judiciário e até cultura".
Urquiza, por sua vez, acredita que o acordo firmado com o Brasil poderá inspirar outros países a fortalecerem suas conexões com a comunidade internacional. Ele também anunciou a criação de uma nova força-tarefa internacional após diálogos com chefes de polícia da América do Sul em um encontro realizado recentemente em Brasília.
Essa força-tarefa terá como foco principal o combate às organizações criminosas transnacionais na região. "Uniremos especialistas, dados de inteligência e recursos tecnológicos da Interpol para apoiar as nações na execução de operações conjuntas. Nosso objetivo é claro: desmantelar as estruturas dessas organizações, interromper seus fluxos financeiros e responsabilizar judicialmente seus líderes", concluiu o delegado Urquiza.