Brasil coloca terras raras na mesa de negociação com os EUA após tarifaço e reunião entre Lula e Trump, diz ministro

Alexandre Silveira afirma que Brasil está aberto ao diálogo, mas sem abrir mão de sua autonomia nas negociações com os EUA

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. - Imagem: Reprodução | Valter Campanato/Agência Brasil

Redação Publicado em 07/11/2025, às 16h56

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta sexta-feira (7) que as terras raras devem fazer parte da pauta de negociação entre Brasil e Estados Unidos, em meio ao agravamento das tensões comerciais provocadas pelo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros. A declaração foi dada em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.

Segundo Silveira, o tema ganhou força após o encontro entre Lula e Trump, realizado em outubro, na Ásia. Conforme foi antecipado pela colunista Marina Roveda, do Diário de São Paulo, o governo brasileiro colocou as riquezas minerais estratégicas como ativo de negociação e instrumento de pressão diplomática.

O ministro reforçou que o Brasil está aberto ao diálogo, mas sem perder autonomia.

"Como o presidente Lula diz, não há nada que não possa estar na mesa, desde que seja respeitando a soberania dos países", afirmou.

China na frente, EUA preocupados

Silveira disse que os Estados Unidos viram a China avançar aceleradamente na produção e no controle global de terras raras — matéria-prima essencial para baterias, veículos elétricos, energia e tecnologia de ponta — e agora temem perder espaço estratégico.

Segundo ele, nesse cenário, os recursos brasileiros se transformam em carta de negociação com o governo Trump.

"O Brasil tem que continuar com esse discurso plural com o mundo inteiro, dialogando de forma altiva, soberana, para que a gente possa aproveitar as nossas riquezas a favor da economia nacional", afirmou.

O ministro também rebateu críticas que sustentam que o país não poderia crescer no setor mineral e manter sua liderança na agenda ambiental.

"Há uma grande injustiça daqueles que acham que não há compatibilidade entre o que o Brasil lidera na transição energética global e a questão ambiental."

Crítica aos países ricos

Ao longo da entrevista, Silveira cobrou que países desenvolvidos cumpram os acordos internacionais firmados para financiar iniciativas ambientais e de energia limpa.

"É fundamental que esse problema transversal, de proteger o mundo, seja respeitado em especial pelos países ricos, que não vêm cumprindo com seus compromissos", disse.
"Assumiram em 2009, em Paris, e assumiram em 2015, em Copenhagen."

COP30

Também nesta sexta-feira, chefes de Estado e de governo fizeram a tradicional “foto de família” da Cúpula de Líderes da COP30, que marca a abertura política da conferência da ONU sobre mudanças climáticas. Mais de 40 autoridades participaram do ato.

Antes do início oficial, a COP registrou novos aportes financeiros ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que remunera países que preservam florestas tropicais.
A Noruega anunciou o maior valor até agora: cerca de US$ 3 bilhões. Com as novas adesões, o fundo já acumula cerca de US$ 5,5 bilhões prometidos.

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