Guerra

Ucrânia abre mão da adesão à Otan por garantias de segurança

Zelensky busca um cessar-fogo e compromissos legais que protejam a Ucrânia de novas invasões russas

Zelensky busca um cessar-fogo e compromissos legais que protejam a Ucrânia de novas invasões russas - Imagem: Reprodução / X / @marlene4719

Gabriela Thier Publicado em 14/12/2025, às 19h38

A Ucrânia decidiu abrir mão de sua aspiração de se tornar membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em troca de garantias de segurança oferecidas por países ocidentais, com o objetivo de encerrar o conflito com a Rússia. Essa declaração foi feita pelo presidente Volodymyr Zelensky durante uma reunião com representantes dos Estados Unidos em Berlim.

Essa mudança de postura representa um ponto crucial para a Ucrânia, que tem buscado a adesão à Otan como uma forma de proteção contra as agressões russas, um desejo que está consagrado na Constituição ucraniana. Além disso, essa decisão atende a um dos principais anseios da Rússia, embora Kiev continue firme na defesa de seu território e se recuse a ceder áreas à Moscou.

Zelensky afirmou que as garantias de segurança provenientes dos EUA, da Europa e de outras nações parceiras representam um compromisso significativo por parte da Ucrânia. "Desde o início, nosso objetivo era integrar a Otan, pois isso traria garantias reais de segurança. Contudo, alguns aliados dos EUA e da Europa não apoiaram essa trajetória", comentou Zelensky durante uma interação com jornalistas via WhatsApp.

Ele acrescentou que as garantias bilaterais entre a Ucrânia e os Estados Unidos, semelhantes às disposições do Artigo 5 para a Ucrânia, bem como os compromissos de segurança de países europeus e outras nações como Canadá e Japão, constituem uma oportunidade para evitar novas invasões russas. "Esse é um comprometimento da nossa parte", assegurou o presidente, enfatizando que essas garantias devem ter caráter legalmente vinculativo.

Por outro lado, o presidente russo Vladimir Putin reiterou suas exigências para que a Ucrânia renuncie oficialmente à sua busca por ingressar na Otan e retire suas tropas das áreas do Donbas que ainda controla. Moscou insiste que a Ucrânia deve adotar uma postura neutra e proíbe a presença de tropas da Otan em seu território.

Fontes russas informaram que Putin espera um acordo formal das potências ocidentais comprometendo-se a não expandir a aliança militar da Otan para o leste, excluindo assim a possibilidade de integração da Ucrânia, Geórgia, Moldávia e outras ex-repúblicas soviéticas.

No passado recente, Zelensky havia solicitado uma paz "digna" e garantias contra novos ataques da Rússia enquanto se preparava para as discussões com representantes dos EUA e aliados europeus em Berlim. Em meio à pressão do presidente americano Donald Trump para aceitar um acordo que favorecia as demandas russas, Zelensky acusou o Kremlin de prolongar o conflito com bombardeios mortais em áreas urbanas e em infraestruturas essenciais como energia e água.

Quanto às reuniões agendadas para os próximos dias, um oficial americano revelou que Steve Witkoff, enviado de Trump, juntamente com seu genro Jared Kushner, estará na Alemanha participando das negociações envolvendo representantes ucranianos e europeus.

A escolha de Witkoff para essa missão sugere que Washington vislumbra uma oportunidade de avanço nas tratativas quase quatro anos após o início da invasão russa em 2022.

Zelensky também mencionou que estão sendo discutidos planos com vinte pontos, prevendo um cessar-fogo ao final desse processo. Ele ressaltou que não existem diálogos diretos entre Kiev e Moscou neste momento. O presidente ucraniano indicou que um cessar-fogo baseado nas atuais linhas de frente seria uma alternativa viável.

Na segunda-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz receberá Zelensky e líderes europeus em uma cúpula na capital alemã. Este encontro faz parte de uma série contínua de demonstrações públicas de apoio ao presidente ucraniano por parte dos aliados europeus.

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