Trump defende que o aumento das tarifas é necessário para garantir a sustentabilidade das indústrias americanas
Gabriela Thier Publicado em 04/06/2025, às 19h38
Na quarta-feira (4), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um aumento significativo nas tarifas sobre importações de aço e alumínio, elevando-as para 50%. Esta decisão tem o potencial de exacerbar as tensões existentes na guerra comercial global. Desde que reassumiu a presidência em janeiro, Trump implementou uma série de tarifas que têm gerado controvérsias e reações adversas entre os aliados comerciais dos EUA.
As tarifas iniciais de 25% foram impostas a produtos de aço e alumínio em 12 de março, com o intuito de estimular investimentos no setor interno. Além dessas indústrias, outras áreas como a automotiva também estão sujeitas a essas taxas, que poderão ser ampliadas para incluir produtos farmacêuticos e semicondutores. Até o momento, essas tarifas não foram suspensas por decisões judiciais que afetaram a maior parte das políticas tarifárias do governo.
No decreto assinado por Trump, que entrou em vigor à meia-noite (horário local), o presidente justifica o aumento das tarifas citando a necessidade de proteção das indústrias nacionais. Ele afirma que "as tarifas anteriormente impostas contribuíram para o suporte aos preços no mercado americano, mas não foram suficientes para garantir uma taxa de utilização da capacidade produtiva necessária para a sustentabilidade a longo prazo".
Além disso, o documento menciona que esse aumento busca proteger a segurança nacional dos Estados Unidos, uma vez que em 2024, quase 50% do aço e alumínio consumidos no país foram importados. O Canadá é destacado como o principal fornecedor desses metais, seguido pelo Brasil e México. O governo mexicano já manifestou sua intenção de solicitar isenção das novas tarifas, classificando-as como "injustas".
O Reino Unido permanece isento desta nova taxa e mantém a tarifa de 25%, enquanto continua as negociações comerciais com Washington. O governo britânico expressou satisfação com esta isenção e reafirmou seu compromisso em concluir um acordo comercial benéfico para ambas as partes.
A decisão coincide com uma reunião agendada em Paris entre representantes comerciais dos EUA e da União Europeia (UE), durante um encontro promovido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Trump acusou a UE de não negociar de forma transparente e sinalizou sua intenção de aumentar as tarifas ainda mais se as negociações não avançarem.
Recentemente, o presidente dos EUA impôs tarifas adicionais como parte de sua estratégia comercial, visando pressionar países que considera estarem adotando práticas comerciais desleais. Embora uma moratória tenha sido estabelecida para algumas dessas tarifas por um período de 90 dias, essa suspensão se encerrará em breve.
A OCDE já revisou suas projeções de crescimento global para 2,9%, abaixo da expectativa anterior de 3,1%, citando as incertezas provocadas pelas políticas tarifárias de Trump como um fator central. Essa instabilidade pode continuar afetando negativamente a economia mundial. Recentemente, Trump também acusou a China de não cumprir acordos estabelecidos anteriormente e ameaçou intensificar ainda mais as hostilidades comerciais.