Senadores dos EUA criticam medidas de Trump contra o Brasil e pedem fim do “tarifaço”

Parlamentares democratas apontam abuso de poder e criticam tentativa de Trump de interferir no Judiciário brasileiro em defesa de Bolsonaro

Trump é alvo de críticas por usar tarifas como forma de pressionar o Brasil - Imagem: Daniel Torok/Official White House

Lívia Gennari Publicado em 26/07/2025, às 19h35

Um grupo de 11 senadores democratas dos Estados Unidos enviou na última sexta-feira (25), uma carta ao presidente Donald Trump, solicitando o fim das tarifas comerciais previstas contra produtos brasileiros, que ameaçam iniciar uma crise comercial entre os dois países. A iniciativa foi liderada por Jeanne Shaheen (Nova Hampshire) e Tim Kaine (Virgínia), ambos integrantes da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

No documento, os parlamentares classificam como “claro abuso de poder” a ameaça do governo Trump de impor tarifas de até 50% sobre todas as exportações brasileiras para os EUA, medida que deve entrar em vigor a partir da próxima sexta-feira, em 1º de agosto. Os senadores reconhecem que, embora haja questões comerciais legítimas entre os dois países, a postura do governo Trump não visa solucioná-las por meio do diálogo.

“O comércio entre EUA e Brasil sustenta quase 130 mil empregos nos Estados Unidos e movimenta mais de US$ 40 bilhões por ano, incluindo cerca de US$ 2 bilhões em café. A imposição dessas tarifas elevaria custos para famílias e empresas americanas, além de provocar retaliações brasileiras, gerando um efeito dominó prejudicial aos exportadores dos EUA”, afirmam os senadores.

Senadores reagem à pressão de Trump sobre Justiça brasileira

Outro ponto central da carta é a crítica à tentativa do presidente Trump de usar medidas comerciais para interferir no sistema judiciário brasileiro, com a intenção de interromper um processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para os senadores, essa intervenção representa um “precedente perigoso”, que ameaça a soberania brasileira e compromete a influência americana na região.

"Usar todo o peso da economia americana para interferir nesses procedimentos (processos da Justiça brasileira) em nome de um amigo é um grave abuso de poder, mina a influência dos Estados Unidos no Brasil e pode prejudicar nossos interesses mais amplos na região", ressaltam os senadores no texto.

Além disso, a carta alerta para o risco de o Brasil se aproximar ainda mais da China, especialmente diante do aumento da presença chinesa na América Latina por meio de investimentos em infraestrutura e acordos estratégicos, como o recente Memorando de Entendimento para um projeto ferroviário transcontinental.

Os senadores solicitam que Trump reavalie as sanções, e destacam que a prioridade dos EUA na América Latina deve ser fortalecer relações econômicas mutuamente benéficas, além de promover a democracia e o enfrentamento à influência chinesa.

Além de Shaheen e Kaine, a carta também é assinada pelos senadores Adam Schiff (Califórnia), Dick Durbin (Illinois), Kirsten Gillibrand (Nova York), Peter Welch (Vermont), Catherine Cortez Masto (Nevada), Mark Warner (Virgínia), Jacky Rosen (Nevada), Michael Bennet (Colorado) e Raphael Warnock (Geórgia).

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